Três cientistas foram reconhecidos por descobertas fundamentais sobre a regulação do sistema imunológico e a prevenção de doenças autoimunes
O Prêmio Nobel de Medicina de 2025 consagrou três nomes que revolucionaram o entendimento sobre como o corpo humano evita atacar a si mesmo. Os americanos Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell, junto ao japonês Shimon Sakaguchi, receberam o prêmio por suas descobertas sobre a tolerância imunológica periférica, um mecanismo crucial que impede que o sistema imunológico cause doenças autoimunes.
Mary E. Brunkow

Nascida em 1961 nos Estados Unidos, Brunkow foi pioneira no estudo das células T reguladoras, responsáveis por impedir que o sistema imunológico ataque órgãos e tecidos saudáveis. Sua pesquisa revelou como essas células atuam como “freios” naturais do sistema de defesa, garantindo o equilíbrio entre proteção contra agentes externos e preservação do próprio organismo.
Fred Ramsdell

Aos 64 anos, também americano, Ramsdell aprofundou a compreensão dos processos que mantêm o sistema imunológico sob controle. Seu trabalho ajudou a estabelecer as bases para novos tratamentos contra câncer e doenças autoimunes, ao mostrar como a modulação dessas células pode ser usada terapeuticamente.
Shimon Sakaguchi

Com 74 anos, o imunologista japonês é considerado um dos pioneiros no campo. Sakaguchi foi um dos primeiros a identificar e caracterizar as células T reguladoras, abrindo caminho para uma área de pesquisa que hoje influencia diretamente o desenvolvimento de imunoterapias e medicamentos inovadores.
Avanços para a medicina moderna
Segundo o Comitê do Nobel, as descobertas dos três cientistas explicam como o organismo consegue combater micróbios e vírus sem se voltar contra si mesmo. “O poderoso sistema imunológico precisa ser regulado. Caso contrário, corre o risco de atacar nossos próprios órgãos”, afirmou o júri ao anunciar os vencedores.
O prêmio também destaca como a pesquisa básica pode ter impacto direto na prática clínica. As descobertas deram origem a novas estratégias para tratar doenças autoimunes, câncer e rejeição de transplantes, entre outras condições.
Cada laureado receberá, além da medalha e do diploma, 11 milhões de coroas suecas (cerca de 6,4 milhões de reais). Em 2024, o Nobel de Medicina havia sido concedido aos pesquisadores Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta dos microRNAs, moléculas de RNA fundamentais na regulação genética.
