Pesquisa do DataFolha mostra aumento no uso de IA em empresas, enquanto brasileiros ainda rejeitam uso para contratações
O medo de ser substituído por IA fica cada vez mais escanteado entre brasileiros que adotam chatbots e modelos de inteligência artificial generativa no dia a dia do trabalho. Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em junho mostra que 48% dos brasileiros que já ouviram falar de IA temem ser substituídos pelos modelos, queda diante da parcela de 56% dos entrevistados ouvidos um ano atrás. A parcela dos entrevistados que não tem medo de ser trocado pela IA no trabalho subiu de 41% a 49% ao mesmo tempo.
Já a população brasileira que usa algum tipo de IA generativa no dia a dia do trabalho subiu de 19% em 2025 para 24% em 2026. Os modelos de chatbot são mais usado para a faculdade em segundo lugar, por 13% dos respondentes. A aplicação da tecnologia é mais comum em pesquisas na internet (25%) e estudos (17%), e menos comum na geração de vídeos e imagens (4%).
A queda no temor frente à IA no emprego contraria economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, além do dono de uma das principais empresas a transformarem o mundo do trabalho. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um documento neste mês pedindo políticas de estímulo à contratações, para evitar riscos de desemprego promovidos por redes sociais.
Aos economistas, o recuo no medo de reposição pela IA faz parte de um efeito de rebote no catastrofismo inicial causado pelo uso massivo das ferramentas como o ChatGPT e o Claude. “As pessoas ouviram que iria acabar o emprego de todo mundo, mas ainda existe trabalho no mercado”, disse Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas), à Folha.
Um estudo do FGV Ibre com base em metodologias da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que quase 30 milhões de brasileiros estavam em empregos com algum grau de exposição a agentes de IA generativa no terceiro trimestre de 2025. Quanto mais escolarizado e mais jovem, maior a dependência de IA, especialmente no setor de serviços em comunicação, informação e serviços financeiros.
A pesquisa do Datafolha revela que 79% dos brasileiros é contra o uso de IA para decisões dentro das empresas. Para essa parcela, é incorreto usar inteligência artificial para demitir ou contratar funcionários, por exemplo. A reprovação do uso de IA por parte de instituições financeiras para ceder empréstimos e crédito chega a 67%, enquanto no caso de diagnósticos médicos, atinge 68%.
