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Trump fala em “química” com Lula, mas mantém agenda agressiva

Da redação
23 de setembro de 2025
Presidente americano defende iniciativas de seu governo, criticou ONU e negou extremos climáticos, mas manteve o discurso sobre perseguição a empresas e cidadãos estadunidenses

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta terça-feira (23) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com críticas à própria organização e seus aliados europeus, ao mesmo tempo em que elogiou seu governo e anunciou que se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana que vem. Foi o primeiro momento desde a instituição dos tarifaços contra o Brasil que houve um sinal de diálogo.

Durante o discurso, Trump relatou um breve encontro com Lula nos corredores da instituição, descrevendo a interação como “química excelente” e afirmando que ambos concordaram em se reunir em breve, no primeiro indício de diálogo direto sobre o chamado “tarifaço” aplicado pelos EUA ao Brasil. Ele manteve as afirmações que cidadãos americanos e empresas são alvo de censura, repressão e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos.

Principais frases de Trump
  • “Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem”
  • “Tive química excelente com o presidente brasileiro, que pareceu um cara muito agradável”
  • “O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos”
  • “Graças à minha gestão, os EUA estão na era de ouro. Somos o país mais ‘sexy’ do mundo.”
  • “A ONU não só não resolve os problemas que deveria com muita frequência, como também cria novos problemas para nós resolvermos. O melhor exemplo é a crise da migração descontrolada”
  • “Infelizmente, muitas coisas na ONU acontecem da mesma forma, mas em escala ainda maior. Muito triste de ver. Diante de tudo isso, qual é o propósito das Nações Unidas?”
  • “Encerrei sete guerras sem a ajuda da ONU. Muita gente diz que eu deveria ganhar o Nobel da Paz”
  • “Tem gente reconhecendo o Estado Palestino, seria uma recompensa muito grande para o Hamas. Apenas libertem os reféns”
  • “As energias renováveis são uma piada. As previsões sobre o aquecimento global foram feitas por pessoas estúpidas”
  • “Cada barco que destruímos transportava pessoas que matariam americanos, e não deixaremos que isso aconteça. Vamos continuar combatendo o terrorismo venezuelano e a ditadura de Nicolás Maduro”
  • “O melhor exemplo da ineficiência da ONU é o prédio da sede em Nova York. Eu ofereci reformá-lo por 500 milhões de dólares, mas escolheram gastar muito mais e entregaram um produto inferior. Infelizmente, muitas coisas na ONU acontecem assim, em escala ainda maior”

O discurso de Trump contrastou com o de Lula minutos antes. Enquanto o brasileiro enfatizou soberania, multilateralismo e cooperação, Trump reforçou sua narrativa de autoelogio, críticas à ONU e posicionamento unilateral, mas abriu espaço para diálogo com o Brasil ao mencionar a futura reunião com Lula, um gesto interpretado como o primeiro sinal mínimo de negociação sobre as tarifas impostas.


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