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Lula e Trump: quem vai enrolar quem?

Aluizio Falcão Filho
23 de setembro de 2025

Uma leitura rápida nas redes sociais no dia de hoje mostra duas versões radicalmente opostas sobre o encontro nos bastidores da Organização das Nações Unidas entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seu discurso na ONU, Trump disse que teve “uma química excelente” com Lula, que parecia ser “um cara muito legal”. Eles se cumprimentaram rapidamente e combinaram de se encontrar na semana seguinte.

O encontro, ainda que breve, virou munição para narrativas dos dois lados. Enquanto o Planalto tenta capitalizar a aproximação como sinal de prestígio global, a oposição enxerga um jogo de cena no qual Lula é apenas uma peça no tabuleiro movimentado pelo presidente americano.

Eduardo Bolsonaro, por exemplo, classificou o movimento como uma demonstração de “genialidade” por parte de Trump. Segundo ele, o republicano elevou a tensão, aplicou pressão e agora se reposiciona com mais força à mesa de negociações. “O Brasil precisa dos EUA, reconheça isto ou não”, disparou.

A deputada Júlia Zanatta foi na mesma linha, afirmando que o discurso de Lula sobre a suposta indisposição da Casa Branca em relação ao Brasil “cai por terra”. Para ela, o gesto do americano mostra que “Trump fez a parte dele”, e que agora é Lula quem precisa provar que não está apenas fazendo figuração internacional.

Já Filipe Barros preferiu a ironia: “Trump quer falar com o Lula. O problema é que, do outro lado, há o Lula”. A frase resume o tom geral entre os bolsonaristas: elogios a Trump, desdém a Lula, e uma leitura política que transforma um aperto de mão em um xeque-mate.

Os petistas, de seu lado, chamaram o encontro de “date diplomático” e apelidaram Trump de “Camarada Donald”. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentou nos bastidores que o gesto de Trump mostra que “até os adversários ideológicos reconhecem a liderança de Lula”. Já a ministra Gleisi Hoffmann postou a seguinte frase: “Quem diria, hein? O mito deles elogiando o nosso presidente”.

Diante de tudo isso, a pergunta que não quer calar é: se o diálogo entre Lula e Trump for aberto, quem vai enrolar quem?

A resposta não está no protocolo, mas no estilo. Trump não enrola com palavras e sim com o caos. Ele diz uma coisa, faz outra e depois surpreende com uma terceira versão. Lula, por sua vez, é mestre da diplomacia do improviso e da arte de encantar seus interlocutores.

Se o papo acontecer, não será um duelo de ideias — será uma batalha de narrativas. Um minueto coordenado, de forma que, no fim, talvez os dois possam se dizer vencedores. Afinal, enrolar não é mentir. É dançar. E, nesse baile, os dois presidentes sabem os passos necessários para gerar boas manchetes.

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Comentários

Uma resposta

  1. Na real, o mais importante é que o Brasil consiga, mais do que reduzir o tarifaço, excluir mais alguns produtos (como, aliás, pedido por vários grupos americanos, como o café, por ex). Certamente será uma negociação onde – para que avance algum entendimento – os dois lados terão que ceder. Isto, sob o ponto de vista econômico. Sob o ponto de vista político, os EUA são, hoje, um país de extrema direita. E o Brasil de centro esquerda. Ideologicamente diferentes. Mas, certamente, com muitos interesses em comum.
    Sob o ponto de vista econômica o tarifaço é injusto, uma vez que a balança favorece os EUA há muito tempo. Sob o ponto de vista jurídico/legal, as ações contra Moraes e outros, são absolutamente inaceitáveis! Ferem nossa soberania, nossas instituições e é algo completamente indevido. Somos, hoje, uma democracia sólida, onde há um embate entre direita e esquerda (isso faz parte). Temos instituições suficientemente fortes, sólidas, estabelecidas, para que não haja qualquer ingerência indevida, externa, de qualquer natureza. Quando Lula foi acusado, apesar de, hoje, se discutir a lisura, ou não , dos ritos processuais, acabou sendo preso. Ponto! O mesmo, agora, aconteceu com Bolsonaro e outros. Porém, com todo processo final, defesa, etc, transmitido aos vivo, às claras. E, de novo, temos um ex presidente no banco dos réus. Processos, enfim, extremamente raros. Poucos precedentes no mundo. Normalmente as coisas são decididas na truculência, com mortes, sangue, golpe, etc. Aqui, diga-se o que se quiser dizer, a democracia, no Brasil, tem funcionado, tem evoluido, tem se aperfeiçoado. Apesar dos pesares. A narrativa da direita é uma. Da esquerda é outra. Sempre foi. E sempre será assim. A lamentável e abjeta corrupção está entranhada em todas as áreas deste país. É um câncer. Que exige e exigira muuuito trabalho até que consigamos extirpá-lo. Seja com governos de direita, ou de esquerda. Enfim, torço para que o diálogo entre Trump e Lula não seja, apenas, um circo. Que saiamos, todos, maiores e melhores. Com perspectivas de um futuro mais promissor.

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