Levantamento BTG/Nexus mostra avanço na avaliação do cenário econômico, mas presidente permanece estável nas intenções de voto e enfrenta empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo turno
A quinta rodada da pesquisa Nexus/BTG Pactual revela um cenário que desafia uma das máximas da política eleitoral: a de que uma economia percebida como melhor tende a beneficiar automaticamente quem está no governo. Embora os indicadores de percepção econômica tenham evoluído nas últimas rodadas do levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua praticamente estável nas intenções de voto e enfrenta um cenário de empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
O levantamento mostra que uma parcela crescente dos brasileiros avalia que a situação econômica do país e das famílias melhorou nos últimos meses. Ainda assim, essa percepção positiva convive com preocupações persistentes em relação ao custo de vida, especialmente à inflação, que continua sendo um dos principais fatores de insatisfação do eleitorado. A sensação de melhora no mercado de trabalho, por exemplo, não é suficiente para compensar a percepção de perda de poder de compra.
O levantamento mostra que a percepção sobre a economia segue em trajetória positiva. Hoje, 17% dos brasileiros avaliam que a economia do país está “ótima” ou “boa”, percentual que era de 16% em abril e 18% em maio, enquanto 51% a classificam como “ruim” ou “péssima”, praticamente estável em relação às últimas rodadas. Quando a comparação é feita com o governo anterior, o cenário se torna mais favorável ao Planalto: 42% afirmam que a economia está melhor do que em dezembro de 2022, contra 42% que dizem que está pior. Além disso, olhando para os próximos seis meses, 37% acreditam que a economia vai melhorar, diante de 28% que projetam piora. Apesar desse ambiente de maior otimismo, a melhora na percepção econômica ainda não se traduz em crescimento eleitoral para o presidente.
Essa combinação ajuda a explicar o desempenho eleitoral do presidente. No principal cenário de primeiro turno, Lula manteve os mesmos 42% registrados na rodada anterior da pesquisa, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 33% para 34%, variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A melhora do ambiente econômico, portanto, não se converteu em crescimento eleitoral para o petista.
O mesmo movimento aparece nas simulações de segundo turno. Lula registra 47% das intenções de voto contra 44% de Flávio Bolsonaro, resultado que configura empate técnico. Na pesquisa anterior, o presidente aparecia com 49%, enquanto o senador tinha 43%, indicando um leve estreitamento da disputa, ainda que dentro da margem de erro.
Outro fator que ajuda a explicar esse cenário é a forte polarização política. A pesquisa mostra que 26% do eleitorado se identifica como bolsonarista convicto e 24% como lulista convicto, enquanto apenas uma parcela menor permanece distante dos dois polos. Nesse ambiente, a avaliação da economia tende a ser filtrada pela identificação política do eleitor, reduzindo o potencial de ganhos eleitorais do governo mesmo diante de indicadores mais favoráveis.
Para analistas políticos, os dados sugerem que a eleição de 2026 continua sendo disputada menos pelos indicadores econômicos e mais pela consolidação das identidades políticas formadas nos últimos anos. A economia melhora, mas, ao menos por enquanto, ainda não consegue romper a barreira da polarização nem ampliar de forma significativa a vantagem eleitoral de Lula.
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