O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira que as tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros não têm justificativa econômica e foram motivadas por pressões políticas. Em declaração à imprensa, Vieira destacou que o Brasil participou de mais de 30 reuniões com autoridades norte-americanas desde março de 2025, incluindo contatos diretos entre presidentes e ministros, sempre buscando o diálogo.
Segundo o ministro, o governo norte-americano elevou as tarifas de 10% para 50% após carta do presidente Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho de 2025, condicionando a medida ao andamento de processos judiciais no Brasil. Vieira classificou essa postura como uma tentativa de interferência no Judiciário brasileiro. Ele ressaltou que, ao longo das negociações, os EUA apresentaram demandas consideradas desproporcionais, como a abertura irrestrita de setores da economia brasileira sem contrapartidas. “Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, disse.
Vieira também criticou declarações recentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, consideradas ofensivas ao governo e ao povo brasileiro. O chanceler lembrou que os EUA acumulam superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e que 76% das importações americanas entram no país sem pagar imposto. Para ele, as alegações sobre o sistema de pagamentos Pix e sobre desmatamento são descabidas e não encontram respaldo na realidade.
O ministro reforçou que o Brasil apresentou defesas formais ao Escritório de Comércio dos EUA e participou de consultas em Washington, demonstrando que suas práticas são legítimas e não discriminatórias. Vieira concluiu que as tarifas aplicadas carecem de racionalidade e refletem pressões políticas externas, não fundamentos econômicos.
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