Em CPMI, ex-ministro admitiu que era necessária “ação mais enérgica” e que governo acompanhava, mas sem a real dimensão
O ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) nesta segunda-feira (9). Ele negou qualquer envolvimento em irregularidades durante sua gestão e afirmou não ter sido omisso no caso das fraudes no INSS, que lesaram mais de 2 milhões de aposentados, em um esquema de R$ 6,3 bilhões. “Errar é humano. Eu posso ter errado várias vezes. Má-fé eu nunca tive. Acobertar desvios, nunca fiz na minha vida”, declarou logo na abertura de seu depoimento.
Lupi reiterou que o presidente Lula não tinha conhecimento dos fatos. Também negou conhecer figuras centrais do esquema, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um dos 21 investigados que teve seu pedido de prisão preventiva aprovado pela coissão. Ao ser questionado sobre nomeações na Previdência e no INSS, o ex-ministro confirmou que indicou alguns ligados às áreas investigadas, como Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário do Regime Geral de Previdência. Mas afirmou que a responsabilidade pelos desvios caberia ao INSS, que é uma autarquia, portanto, com autonomia em decisões.
Lupi esteve à frente do Ministério da Previdência de janeiro de 2023 até maio de 2025, pedindo demissão cerca de uma semana após a deflagração da operação da Polícia Federal. Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre quando teve conhecimento do esquema, Lupi afirmou que só entendeu a real dimensão das fraudes após o avanço das investigações da Polícia Federal.
“A gente, infelizmente, não tem o poder da adivinhação. Nunca tivemos capacidade de dimensionar o tamanho ou o volume do que esses criminosos fizeram no INSS. Foi só depois da investigação para valer, da PF’, justificou. Ele disse que até então as denúncias haviam sido arquivadas por falta de provas, como ocorreu em 2016 e 2020. Indagado se teria comunicado o presidente Lula sobre os indícios, respondeu: “Eu não tinha informação suficiente para comunicar”.
O relator também apontou a demora do ministério em agir diante de indícios. Lupi alegou que medidas foram tomadas a partir de maio de 2023, quando foi realizada uma reunião entre o INSS e a PF decorrente de denúncias que chegavam ao conhecimento do Ministério por meio da ouvidoria e pela plataforma do Meu INSS.
E que a ação da PF surgiu a partir da Ouvidoria da pasta. “Essa ação foi de fora para dentro. Não era uma ação feita com dinheiro público dentro da Previdência Social. Era um esquema criminoso externo, com a conivência de alguns que, espero eu, sejam exemplarmente punidos”, disse.
Consignado
Na CPMI, Lupi também defendeu a revisão dos descontos de créditos consignados nos benefícios de aposentados e pensionistas. “É importante ir fundo nesse processo de descontos que se faz junto aos aposentados e pensionistas pelo empréstimo consignado. Agora acabaram com o desconto em folha dos associativos, por que não acabar também com os descontos de crédito consignado?”, questionou.
Pedido de suspensão
No início da reunião, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão do senador Rogério Marinho (PL-RN), por ele ter sido secretário Especial da Previdência Social durante o governo de Jair Bolsonaro. Para Pimenta, Marinho teria acesso a documentos sigilosos sendo parte interessada no objeto da investigação.
O pedido foi negado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), que alegou que Rogério Marinho não é investigado pela CPMI. Pimenta disse que irá recorrer à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
(com agências Brasil e Senado)
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