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Justiça decidir a venda de bebidas em restaurantes é irrelevante. O que importa é evitar contágios

Foi uma semana de copos meio cheios e meio vazios. Na segunda-feira (14), a Justiça paulista liberou a venda de bebidas alcoólicas em restaurantes no estado de São Paulo, após as 20 horas. Na quinta-feira (17), o ministro Luiz Fux, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou a decisão liminar, retomando a determinação do governo estadual, que desde sábado (12) estabelece o limite de horário para a comercialização de bebidas alcoólicas. Seria uma forma de evitar aglomerações de fim de ano, contendo a disseminação do coronavírus. O recurso inicial foi pedido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), apresentado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e acatado pelo desembargador Renato Sartorelli, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A Abrasel argumentou que não haveria “qualquer estudo científico que estabeleça relação de causa e efeito entre a venda de bebidas alcoólicas e a contaminação pela covid-19”, além citar os prejuízos financeiros para bares e restaurantes. Em resposta, o governo de São Paulo alega que baseou a suspensão após especialistas do Centro de Contingência do Coronavírus perceberem que adultos entre 30 e 50 anos formam o maior grupo de ocupantes de leitos hospitalares de covid-19 – ainda que não sejam maioria nas UTIs. A turma entre 20 e 39 anos representa 40% dos novos casos confirmados no estado. Por isso, limitar a venda de bebidas alcoólicas é visto como uma forma de barrar aglomerações noturnas, reduzindo as contaminações. É uma discussão inconclusiva diante dos dados disponíveis. Por isso, há quem prefira seguir outro caminho. Permitir a venda de álcool até mais tarde não seria, em absoluto, uma prioridade para alguns empresários neste momento. “É melhor perder o anel do que os dedos”, afirma Sylvio Lazzarini, sócio da rede Varanda Grill. Sua analogia se refere à cautela que ele e muitos outros preferem adotar neste segundo momento de crescimento da pandemia, às vésperas da aprovação das vacinas. “A situação é grave. E não me refiro só ao setor. Temos que combater é quem não cumpre os protocolos de saúde”, se referindo ao distanciamento entre as mesas, álcool em gel ao alcance das mãos, lotação dentro das normas e escudos faciais para o pessoal. Seu amigo e empresário gastronômico Marcelo Fernandes, sócio do Grupo MR (Attimo Per Quattro, Mercearia do Francês, Kinoshita, Tradi, Kurâ Izakaya e Panetteria Attimino), segue o mesmo raciocínio. “Não vamos brigar agora, depois de tantas adversidades. Se seguirmos os protocolos, estaremos preservando os dois pilares do negócio: os clientes e os colaboradores”, diz, lembrando que a pandemia estabeleceu uma seleção natural entre o público. Há quem procure casas que não respeitam as normas – assim como há quem frequente festas e aglomerações – e há quem apenas peça um pouco mais de bebida e vá dosando até um pouco mais tarde, perto da hora de ir embora, às 22 horas, 120 minutos após o fechamento das portas. Ninguém está proibido de consumir o que já está na mesa. Lazzarini aproveita para fazer um alerta. Se a pandemia se alastrar e as autoridades recomendarem o fechamento mais cedo, às 20 horas, por exemplo, seria um golpe fatal para centenas de estabelecimentos. “Não adianta pensar em faturar em dezembro e não ter mais clientes em março”, diz. Um argumento determinante é um dado ignorado. Com liminares ou sem, as entidades empresariais e de trabalhadores atuam em conjunto pra preservar negócios e empregos. Diretor do Sindicato de Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo e Região, o Sindresbar, Lazzarini diz que tenta seguir com rigor todas as regras de higiene e distanciamento, mesmo administrando o corre-corre de garçons. Tanto que desde o início da pandemia, apenas 19 de seus 400 colaboradores foram infectados – menos de 5%. A mesma média do Grupo MR, de Fernandes, que tem cerca de 200 funcionários. “Não vai ser uma briga por bebidas que vai nos derrubar agora”, diz Marcelo Fernandes. “Por decreto não se adota moderação”, completa Sylvio Lazzarini.

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