Uma semana após as denúncias por falsidade ideológica eleitoral, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai virar réu. A Justiça Eleitoral de São Paulo aceitou a ação do Ministério Público pelas suspeitas de tais crimes.
A denúncia foi acatada pelo juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral da capital, nesta quinta-feira (30). Na decisão, o magistrado afirmou haver “indícios suficientes de materialidade” e autoria.
Alckmin é suspeito de receber R$ 11,3 milhões da empreiteira Odebrecht para suas campanhas eleitorais ao executivo estadual em 2010 e em 2014. Ele consta nas delações de três executivos da empresa, sendo cognominado nas planilhas como Pastel, Pudim, Bolero, Belém e Meia.
As transferências teriam ocorrido via caixa 2, já que a empreiteira mantinha contratos com o governo estadual, portanto, era impedida por lei de fazer doações de campanha. Os promotores afirmam que Alckmin sabia o tempo todo desse impedimento e que, mesmo assim, aceitou os valores não declarados. O indiciamento ocorreu em 16 de julho.
O caso está na Justiça Eleitoral de São Paulo desde 2018. A condução saiu do Superior Tribunal de Justiça (STJ) naquele ano, quando Alckmin renunciou para concorrer à presidência, perdendo o foro privilegiado.
