O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi indiciado por suspeitas de crimes de lavagem de dinheiro, formação de caixa dois eleitoral e corrupção passiva. Ele será investigado no inquérito sobre desvios de doações para sua campanha de 2010 por parte da empreiteira Odebrecht. O anúncio foi feito pelo Ministério Público paulista nesta quinta-feira (16). Alckmin foi governador do estado de São Paulo entre 2001 e 2006 e de 2011 a 2018.
Além de Alckmin, o ex-tesoureiro do PSDB, Marcos Monteiro, e o advogado Sebastião Eduardo Alves de Castro também foram indiciados por suspeitas de crime eleitoral. O MP-SP pode ampliar as diligências para que a polícia aprofunde pontos da investigação que não eram acessíveis sem a devida autorização judicial.
O inquérito é um desdobramento da Lava-Jato e se desenrola desde 2017, após um acordo de delação premiada com o então diretor da empreiteira, Carlos Armando Paschoal. O executivo informou ter repassado irregularmente R$ 2 milhões para a campanha de Alckmin ao governo de São Paulo, em 2010. O dinheiro foi entregue para Adhemar Ribeiro, cunhado do ex-governador e então responsável por controlar os gastos da campanha. A PF não indiciou Ribeiro por considerar que os supostos crimes de 2010 já prescreveram
Em 2014, houve um segundo pagamento, de R$ 8,3 milhões, delatado por Benedicto Júnior, outro executivo da Odebrecht. Essa operação teria sido intermediada por Marcos Monteiro, então tesoureiro do partido. Como não houve prescrição, ambos puderam ser indiciados.
O caso corre na Justiça Eleitoral de São Paulo desde 2018. A condução saiu do Superior Tribunal de Justiça (STJ) naquele ano, quando Alckmin renunciou para concorrer à presidência, perdendo o foro privilegiado.
O PSDB estadual afirmou, em nota: “A história do governador Geraldo Alckmin não deixa dúvidas sobre a sua postura de retidão, coerência e compromisso com o rigor da lei”. O documento é assinado por Marco Vinholi, presidente estadual do PSDB-SP e secretário do governo João Doria.
Já diretório nacional tucano soltou um comunicado de seu presidente, Bruno Araújo: “Governador quatro vezes de São Paulo, quase cinco décadas de vida pública, médico, Geraldo Alckmin sempre levou uma vida modesta e de dedicação ao serviço público. É uma referência de correção e retidão na vida pública. Tem toda a confiança do PSDB”.
