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Ajuda aos estados e municípios é subestimada por Brasília, diz analista

A pandemia desafia o papel do estado na gestão de uma crise sem igual e, em especial, a função do Sistema Único de Saúde (SUS), afirma o coordenador do Observatório de Política Fiscal do FGV/IBRE, Manoel Pires. Em uma conversa com MONEY REPORT, o economista afirmou que o cenário já mudou algumas vezes, o que obrigaria o governo a estudar novos planos, alguns de execução difícil, mas que seriam viáveis e justificáveis frente ao tamanho do estrago caso nada seja feito.

Pires considera que o governo federal ainda trata de forma subestimada a necessidade de ajudar estados e municípios, integrantes da estrutura de gestão e financiamento tripartite do SUS. Como a epidemia por enquanto está concentrada em São Paulo e Rio de Janeiro, capitais menores e cidades do interior ainda não foram impactadas – o que deve ocorrer em breve.

“Será exigida uma reação forte de estados e municípios, que estão quebrados”, diz Pires.

Ele comparou a situação com as crises de 2008 e 2015:

“Na primeira, o país estava bem, na segunda, a recessão não exigiu de cidades e estados”. Daí a necessidade de brigas políticas serem deixadas de lado.

O segundo aspecto é a necessidade, aparentemente inevitável, do governo ter que repor perdas de renda “para quase todo mundo” em função de uma recessão que se avizinha com a manutenção o isolamento social. É um desafio novo e preocupante, já que a estrutura estatal brasileira não desenvolveu nenhuma expertise para atender atender grupos como os trabalhares formais (renda média de R$ 3.200) e os informais (renda média de 1.300).

“Os formais geralmente possuem alguma cobertura, com seguro-desemprego e FGTS, já os informais, nada”, alerta Pires. “É por isso que o papel do estado e do SUS – que sempre foi uma espécie de patinho feio – estão em questão. O Brasil está muito atrás das medidas apresentadas recentemente pela Europa e Estados Unidos”.

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