Dividendos entram no radar da companhia após meta de dívida
A Suzano reforçou em encontro com investidores sua estratégia de disciplina financeira e foco em eficiência operacional, segundo relatório do BTG Pactual. A companhia mantém como prioridade a desalavancagem, com meta de reduzir a relação dívida líquida/EBITDA para 2,5 vezes até 2027/28, frente ao nível atual pouco acima de 3,0 vezes. A recente aquisição da Kimberly-Clark deve ter impacto mínimo na alavancagem, enquanto a recompra de ações segue em ritmo moderado. A gestão sinalizou que, após atingir a meta de endividamento, poderá implementar uma nova política de dividendos, elevando o perfil de retorno de caixa da empresa.
No mercado de celulose, o cenário é divergente. Na Europa, a demanda se mantém sólida e os preços apresentam perspectiva positiva. Já na China, o ambiente segue pressionado, com estoques elevados, spreads apertados entre fibras e preços de revenda abaixo das referências, o que pode levar a cortes de capacidade no curto prazo. O BTG destaca que a oferta global deve aumentar nos próximos anos, com novos projetos na China e na América Latina, tornando ainda mais relevante a estratégia da Suzano de diversificação geográfica e iniciativas de desverticalização.
Do lado operacional, a empresa reafirmou sua capacidade de manter custos competitivos, com guidance de R$ 830–840 por tonelada para o segundo trimestre de 2026 e cerca de R$ 800 por tonelada em 2026. A base florestal do projeto Cerrado deve estar pronta em 2029, reduzindo a dependência de madeira de terceiros. Iniciativas como o uso de brotos após colheita (coppicing) e otimização industrial reforçam a busca por eficiência e menor capex.
Apesar do ambiente desafiador para a indústria de celulose e da ausência de catalisadores de curto prazo, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para Suzano. O banco ressalta que a ação segue descontada, negociando perto de mínimas históricas em torno de 5 vezes EV/EBITDA, e que a companhia preserva vantagens estruturais de liderança em volume e custo, além de uma gestão comprometida com disciplina financeira.
