Criadora da CoronaVac avalia fábrica no interior de São Paulo e quer ampliar produção de vacinas e presença na América Latina
A Sinovac, farmacêutica chinesa responsável pela CoronaVac, planeja investir US$ 100 milhões no Brasil nos próximos cinco anos. A estratégia prevê a criação de uma operação local voltada à produção de vacinas e ao desenvolvimento de negócios em biotecnologia.
Segundo Dimas Covas, cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Sinovac no Brasil, a companhia quer fazer o caminho inverso ao de empresas que deixaram o país nos últimos anos. “As companhias saem do Brasil, nós vamos voltar e estar presentes de fato, com uma empresa de biotecnologia”, afirmou.
A empresa avalia instalar uma fábrica no interior de São Paulo, com Ribeirão Preto e Campinas entre as cidades estudadas. A operação brasileira faz parte de uma estratégia maior para ampliar a presença da Sinovac na América Latina, em um plano batizado de Projeto Amazon.
No Brasil, a companhia pretende produzir duas vacinas, contra raiva humana e varicela, em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar. Inicialmente, os imunizantes serão importados, enquanto o instituto assumirá gradualmente a produção local por meio de transferência de tecnologia.
O processo deve levar até dez anos, mas, segundo Covas, pode ser acelerado conforme os investimentos do governo e a capacidade do parceiro nacional. Pelo acordo, o Tecpar ficará responsável por infraestrutura e pessoal, enquanto a Sinovac fornecerá o conhecimento técnico.
Covas afirma que o Brasil, sexto maior mercado farmacêutico do mundo, ainda tem dificuldade para transformar pesquisa científica em inovação aplicada. Para ele, o país produz conhecimento, mas falha na coordenação entre governo, indústria, universidades e setor privado.
“O brasileiro é trabalhador, criativo, produzimos muitos artigos científicos. Só que, quando olhamos para a inovação, estamos no fim da curva”, disse.
O executivo também defende que o país acompanhe com mais atenção os avanços da China em biotecnologia e inteligência artificial. Segundo ele, a IA já permite acelerar o desenvolvimento de protótipos de vacinas em uma velocidade antes inimaginável.
Além do Brasil, a Sinovac já tem acordos com a Colômbia e negociações preliminares com Chile e Argentina. Para Covas, porém, o mercado brasileiro deve liderar a expansão regional da companhia, tanto pelo tamanho da demanda quanto pela capacidade científica instalada no país.
