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Vídeo: O Fusca voador autônomo está pronto para decolar no Brasil

O chinês EH216-S quer ser o táxi aéreo do futuro imediato, com viagens a menos de R$ 100 por assento sobre grandes cidades e atrações turísticas. Certificação brasileira deve sair em 2025

Há uma corrida aérea bilionária em curso pelo mercado nascente da aviação civil autônoma, aquela que coloca passageiros no ar para voos curtos, sem piloto e com pousos e decolagens verticais – o sonho do carro voador que os helicópteros jamais concretizaram. E o Brasil está no centro dessa disputa, que possui duas linhas de partida. De um lado, a Embraer/Eve projeta e deve lançar até o final do ano o protótipo de seu veículo aéreo autônomo elétrico de pouso e decolagem verticais (eVTOL, na sigla em inglês) voltado ao transporte de passageiros, nos moldes dos jatinhos, conectando aeroportos ou helipontos e vertiportos entre si. Os brasileiros parecem prontos para enfrentar com alguma vantagem projetos estadunidenses (Nasa, Boeing, Archer, Joby, Opener BlackFly), europeus (Airbus, AgustaWestland Project Zero, Lilium, Jetson One, Pipistrel, Vertical, Volocopter), turcos (Baykar), japoneses (Honda e Toyota) e coreanos (Hyundai).

Mesmo partindo com algum atraso, os chineses se preparam para jogar no mercado o que almejam transformar no Fusca eVTOL, com o eHang 2016-S, que de início será um táxi voador até ser aprimorado para o público em geral. A Administração de Aviação Civil da China (Caac) aprovou voos comerciais em outubro de 2023. O aparelho já percorre os céus de Guangzhou (vídeo), Xangai e Shenzhen. A aeronave foi apresentada no Japão, Estados Unidos, países da União Europeia e Rússia. Por aqui, são aguardadas as definições de operação estudadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que deve ocorrer a partir de 2025. O mesmo vale para os EUA.

A um primeira olhada, o EH216-S parece desajeitado. Incapaz de cruzar os céus como um pássaro, todavia promete a estabilidade e a desenvoltura de uma libélula ou abelha – afinal, é um drone com passageiros. Conforto, segurança e economia falaram mais alto. Projetado para ser comandado remotamente a partir de um centro de comando e controle, o 216-S poderia levar dois passageiros em velocidade de cruzeiro de 95 quilômetros por hora da Faria Lima até Alphaville em menos de 15 minutos. Um pouco menos que de Congonhas a Guarulhos, sempre percorrendo corredores aéreos, como hoje fazem os helicópteros.

Gohobby

Por enquanto, só um EH216-S está no Brasil, nas mãos da Gohobby, no heliport da Allta, em Barueri. De acordo com o CEO da representante local, o ex-piloto automobilístico Adriano Buzaid (imagem de destaque), o custo de uma unidade sairia em torno de US$ 500 mil – com o câmbio em torno de R$ 5 e sem contar impostos. Pode parecer caro, afinal um helicóptero Robinson 22, de dois lugares (incluindo o piloto), é entregue por US$ 380 mil. As vantagens estão no passageiro a mais e no custo do voo elétrico autônomo, que elimina da conta os gastos com piloto e combustível fóssil. Um passageiro pode gastar menos de R$ 50 para uma viagem de 20 minutos (limite de voo da versão S), enquanto um R22 decola por R$ 2 mil. Há 14 unidades fechadas em acordos de pré-venda e dúzias de interessados. Todas para companhias de táxi-aéreo ou voos panorâmicos.

Conheça o EHang 216-S

Preço estimado: US$ 550 mil
(com dólar em torno de R$ 5, sem contar impostos)

Características

  • Tripulação: Nenhuma (autopilotada)
  • Capacidade: 2 adultos e alguma bagagem (até 260 kg)
  • Comprimento: 5,61 m
  • Altura: 1,76 m
  • Motor: 16 motores elétricos movendo um conjunto de 16 rotores de hélices duplas em 8 eixos
  • Baterias: 12 baterias independentes que produzem 117kWh (menos que o consumo médio de uma residência brasileira: 152,2 kWh/mês)

Desempenho

  • Velocidade máxima: 160 km/h (99,4 mph/86,4 nós)
  • Velocidade de cruzeiro: 96,5 km/h (60mph/52 nós)
  • Velocidade mínima de controle: 70 km/h (43,5 mph/37,8 nós)
  • Alcance: 32 quilômetros (17,27 mn)
  • Tempo de voo: 21 minutos
  • Teto de serviço: até 3.000 metros do nível do mar
  • Voos: até 600 metros do solo

Funcionalidades

  • Painel do passageiro: tela de 30,5 cm (12 pol.)
  • Janelas: amplas e frontais
  • Portas: 2 portas asas de gaivota
  • Trem de pouso: pás fixas sob a fuselagem
  • Segurança: propulsão elétrica distribuída (DEP) redundante. Se um ou dois motores ou hélices falharem ou mais, o sistema compensa e busca uma área de pouso previamente mapeada
  • Sobre as cidades: os trajetos serão aprovados digitalmente por meio de planos de voos emitidos pelas autoridades aeronáuticas. Ninguém decolará sem autorização do centro de tráfego aéreo local
  • GPS: todos os trajetos serão mapeados e referenciados previamente
  • Controle: além do monitoramento de tráfego aéreo, que emite orientações aos Centros de Controle de Comando da EHang, a empresa monitora obstáculos à segurança nos trajetos e os informes meteorológicos

Contra o fogo

A expectativa é que o eVTOL seja empregado de início no Rio, São Paulo e passeios aéreos sobre as Quedas de Iguaçu, Pantanal, Serra Gaúcha e pontos do litoral nordestino. As perspectivas são promissoras. Há 1,2 mil pedidos globais previstos para os próximos cinco anos. Em 13 de outubro de 2023, a EHang abriu capital, levantando cerca de US$ 1 bilhão. De lá para cá, clientes sugeriram até um versão para combater incêndios em arranha-céus.

Um eVTOL contra incêndios em prédios evitaria tragédias

Buzaid acredita que as possibilidades de mobilidade aérea oferecidas são gigantescas, já que as áreas de pouso são reduzidas e mais fáceis de serem adaptadas a partir de estacionamentos e pátios. Um exemplo seriam voos para a Baixada Santista. Bastaria criar um ponto de abastecimento no meio do caminho até a chegada de modelos mais capazes – o que ficaria em conta. O problema por enquanto é o tempo de recarga, de duas horas, o que deve ser reduzido com a rápida evolução das baterias. “O custo de infraestrutura elétrica é um terço de um SUV médio”, diz Buzaid. A possibilidade de propriedade compartilhada ainda está indefinida no Brasil, mas pode ser aprovada no futuro como ocorre com jatinhos. A intenção da EHang é baratear e popularizar ao máximo, desviando de parte da concorrência, que ainda concebe os eVTOLs sob uma perspectiva mais elitista.

Parâmetros

Para quem tem receios, o CEO da Gohobby explica que a ausência de piloto é compensada por tecnologia – lembrando que as operações ocorrem sobre áreas urbanas cobertas por telecomunicações. Em caso de pane, as coordenadas de partida, chegada, pousos alternativos e pontos de checagem virtuais estão armazenadas na memória do computador de bordo (cabem em um celular, lembremos), que toma as decisões. Testes na China com ventos contrários e laterais de até 80 quilômetros horários e visibilidade de até 50 metros não apresentaram problemas – porém, os parâmetros devem ser ampliados com a evolução dos próximos modelos.

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