Seis meses após a regulamentação do Banco Central, o mercado brasileiro de Banking as a Service (BaaS) vive um momento de transição que vai além da simples conformidade regulatória. Segundo Rogério Melfi, diretor executivo da Associação Brasileira de Banking as Service (ABBAAS), o setor está passando por um teste de maturidade, com ajustes que envolvem processos, sistemas e custos, além da redefinição clara de responsabilidades entre prestadores e tomadores de serviço.
Conforme o diretor da ABBAAS, o BaaS foi decisivo para a expansão das carteiras digitais e fintechs, permitindo que empresas de diferentes segmentos incorporassem serviços financeiros sem precisar se tornar instituições reguladas. Agora, o desafio é manter a inovação dentro de uma estrutura mais organizada e transparente. A regulamentação reforça que instituições reguladas continuam responsáveis por conhecer seus clientes, monitorar riscos e prevenir fraudes, o que exige uma revisão profunda de operações e contratos.
Esse movimento também traz maior clareza ao mercado, separando papéis entre instituições financeiras, empresas de tecnologia e intermediários comerciais. A tendência é de especialização: regulados focam nos serviços financeiros, enquanto empresas de tecnologia fortalecem sua posição como fornecedoras de infraestrutura. Embora o número de prestadores possa se consolidar, a base de tomadores deve continuar crescendo, já que muitas companhias percebem que operar por meio de parceiros especializados é mais eficiente do que buscar uma licença própria.
O resultado é um ambiente competitivo e inovador, em que empresas de setores como mobilidade, varejo, agronegócio e educação seguem utilizando o BaaS para agregar valor às suas ofertas. O mercado amadurece e, como destaca Rogério Melfi, o crescimento passa a depender não apenas da velocidade, mas também de governança, transparência e responsabilidade.
