Boom de canetas emagrecedoras é duplamente positivo para grandes redes de farmácias
As principais redes de farmácias brasileiras fecharam o primeiro trimestre de 2026 com resultados consistentes e um protagonista claro: a categoria de medicamentos GLP-1. Segundo análise da Peers Consulting + Technology, o que era visto como tendência em 2025 já se consolidou como pilar estrutural do setor, impulsionando vendas, margens e fluxo de clientes.
A RD Saúde manteve ritmo acelerado, com receita bruta de R$ 12 bilhões e avanço de 20% sobre o ano anterior. O digital já responde por 30% das vendas e a companhia segue expandindo margem e geração de caixa, com lucro líquido ajustado crescendo quase 70%.
A Pague Menos também surpreendeu: lucro líquido ajustado saltou mais de 300%, sustentado por forte desempenho digital e pela categoria GLP-1, que já representa 9,1% da receita.
A Panvel, por sua vez, registrou lucro recorde e viu as vendas digitais dispararem, com penetração de 28,5% e crescimento de mais de 80% na categoria GLP-1, que já responde por mais de 10% do faturamento.
O mercado brasileiro de canetas emagrecedoras deve praticamente dobrar de tamanho em 2026, saltando de R$ 11 bilhões para R$ 20 bilhões, impulsionado pelo vencimento da patente da semaglutida e pela entrada de genéricos com preços até 50% menores. Para as redes, o movimento é duplamente positivo: amplia o mercado endereçável e melhora margens, já que genéricos oferecem condições comerciais mais favoráveis.
Outro vetor decisivo é o digital. O e-commerce deixou de ser complementar e se tornou diferencial competitivo consolidado. Além de conveniência e fidelização, funciona como canal estratégico para categorias de alto ticket, como GLP-1, e abre espaço para novas frentes de monetização, como CRM e tráfego digital.
O setor, no entanto, encara desafios: pressão temporária nas margens pelo mix ainda concentrado em medicamentos de marca, ritmo mais lento de expansão física em alguns players e sensibilidade do consumo discricionário ao cenário macroeconômico. Há também risco regulatório ligado à aprovação dos genéricos pela Anvisa.
