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Exame: Gol vive pós-pandemia e fundador aporta R$ 270 mi para novos aviões

Quem presta atenção na história já deveria suspeitar. Estava demorando, mas veio. A família Constantino, controladora da companhia de aviação Gol, é natural compradora em momentos de preços mais baixos de mercado. A companhia anunciou na segunda-feira, dia 3 um aumento de capital privado que pode alcançar até R$ 512 milhões. Desse volume, R$ 270 milhões já foram garantidos pelos donos. O objetivo? Aproveitar as oportunidades de mercado geradas pela pandemia para comprar aviões novos.

“A Gol não chamou capital, os controladores é que decidiram adquirir mais ações e aumentar a exposição ao negócio”, contou uma fonte familiarizada com o assunto à reportagem do EXAME IN. Esse é o motivo para ser uma operação privada e não uma oferta pública. Os fundadores estavam apenas aguardando o fim das negociações e a segurança da concretização da transação com a empresa de fidelidade Smiles. As duas empresas serão unificadas em busca de maior eficiência comercial e aumento da rentabilidade do grupo.

Com essa aquisição, a família vai completar cerca de R$ 1 bilhão em investimento na empresa em diversos momentos, desde 2009. Em uma linha do tempo desde então é possível ver que esse é o quinto aporte de recursos. O preço da ação foi estabelecido em R$ 24,19 para as preferenciais, um ágio de 9,13% sobre a média dos últimos 30 dias de pregão. Na bolsa, os papéis terminaram o dia ontem, 3, em R$ 23,44, com a empresa avaliada em R$ 8,3 bilhões.

Pós-pandemia

A decisão dos Constantino de capitalizar a Gol é porque a companhia já começou a viver o pós-pandemia. “O ritmo de venda de passagem começou abril 50% acima do que estava na última semana de março”, afirma uma fonte próxima à empresa. Trata-se de recursos para investimento.

O dinheiro da capitalização, que em dólares equivale a cerca de US$ 50 milhões, será integralmente usado para compra de aeronaves Boeing 737 Max que já estão prontas e com valores abaixo do que as próprias encomendas realizadas pela empresa brasileira, quando do anúncio do plano de renovação de frota.

Tudo isso é aumento de novas unidades, para além do plano de modernização divulgado antes. Os recursos permitirão que a empresa dê a entrada em 10 aviões, aproximadamente. A expectativa é realizar as aquisições em um período de três a nove meses. Em uma janela de prazo mais longo, de 18 meses, as aquisições podem chegar a até 20 aeronaves Max, conforme o comportamento da demanda por passagens.

O modelo mais novo da Boeing permite uma maior eficiência de combustível e o transporte de um número maior de passageiros. Por isso, representa ganho de competitividade e crescimento de capacidade, ao mesmo tempo.

Após a crise que levou até à paralisação na produção por cerca de dois anos, a Gol reinaugurou os voos com esse modelo em janeiro deste ano.

A ideia é que as aquisições sejam realizadas à medida que vencem os leasings de prazo mais curto do modelo anterior, os NGNs. Esse dinheiro novo permite que a empresa dê a largada na compra, o que exige cerca de US$ 5 milhões por aeronave. Depois o financiamento para o restante do custo vai ser estruturado com calma, pois a companhia tem um período de cerca de seis meses para início dos pagamentos.

Outro termômetro da Gol foi a velocidade de recuperação no mercado americano. Nos Estados Unidos, durante a chamada “segunda onda” de contaminação, o fluxo de passageiros atingiu o ponto mais baixo aos 35% da demanda verificada em 2019, antes da covid. Mas, apenas dois meses depois, já estava em 60%.

Bonds

A Gol também está voltando ao mercado internacional para reabrir uma emissão de bonds realizada em dezembro, com vencimento em 2026, conforme o EXAME IN antecipou. Depois de levantar US$ 200 milhões no fim de 2020, ou cerca de R$ 1,018 bilhão, a companhia deve obter outros US$ 200 milhões.

Assim como foi na vez anterior, a dívida deve ser garantida com ativos da empresa (que não aeronaves). A remuneração acertada na transação anterior foi de 8% ao ano. Por enquanto, não houve o lançamento da operação, a empresa está apenas sondando o mercado a respeito da demanda pelos títulos.

Outro sinal recente de que a Gol está de olho na vida além da crise da covid são os compromissos ambientais assumidos recentemente pela companhia. No fim de abril, anunciou uma ambiciosa meta de zerar as emissões de carbono até 2050 — o primeiro compromisso do tipo assinado por uma companhia aérea da América Latina. Para isso, haverá investimento em novas tecnologias, incluindo produção de combustíveis sustentáveis; além de melhorias operacionais, de infraestrutura e da logística. A companhia recheou o último 20F, o relatório anual mais importante e completo registrado na Securities and Exchange Commission (SEC), sobre seus compromissos com os fatores ambientais, sociais e de governança (ESG).

“O mundo está diferente, a companhia recebeu um monte de perguntas sobre o que está fazendo em ESG de investidores”, afirmou em conversa recente com o EXAME IN um executivo que acompanhou visitas internacionais. Os aviões estão na mira de diferentes governos para reduzir os níveis de poluição e, no caso da França, foram proibidos voos para trajetos feitos em até 2h30 de trem. O tema deve voltar a ser pauta de encontros com o mercado agora que a Gol está de novo se encontrando com investidores.

Por Graziella Valenti

Publicado originalmente em https://exame.com/exame-in/gol-vive-pos-pandemia-e-fundador-aporta-r-270-mi-para-novos-avioes/

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