Em entrevista exclusiva à EXAME, Marcos Colares revela como a varejista farmacêutica pretende crescer acima do mercado enquanto avança na redução de emissões e amplia o acesso à saúde
Numa farmácia de bairro, clientes chegam toda semana para buscar um remédio, medir a pressão, tirar uma dúvida com o farmacêutico. O melhor cliente da DPSP, grupo que engloba Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, vai à loja uma vez por semana e o menos frequente, uma vez por mês.
É exatamente essa rotina e a capilaridade da rede que a varejista farmacêutica quer transformar em vantagem competitiva e alavanca de impacto socioambiental.
Mais do que vender medicamentos, a estratégia é usar essa presença constante nas comunidades para ampliar o acesso à saúde, incentivar práticas como o descarte correto de medicamentos e fortalecer iniciativas ambientais e sociais.
Com 1.661 lojas distribuídas em nove estados e no Distrito Federal, a empresa acaba de divulgar seu relatório de sustentabilidade 2025 e e os avanços vêm acompanhados de um plano de expansão ambicioso: abrir entre 300 e 500 novas lojas nos próximos três a cinco anos.
Para o CEO Marcos Colares, à frente do grupo desde julho de 2024, as duas agendas são inseparáveis: a sustentabilidade é inerente às decisões em um mercado que deve crescer 10% este ano e que a DPSP quer superar.
Em 2026, o plano contempla 50 novas lojas e a reforma de mais de 150 já existentes com mais de três anos.
“Quando planejamos expandir, em colocar um novo centro de distribuição, sempre olhamos como ele pode ser sustentável e sua proximidade com o cliente final. Tudo é para minimizar a pegada de carbono”, afirma Colares, em entrevista exclusiva à EXAME.
A expansão tem um forte recorte social. A DPSP vem avançando para regiões mais vulneráveis como Norte, Nordeste e interior de Minas Gerais, e onde o acesso à saúde ainda é limitado.
“Trazer essa qualidade, preencher essa lacuna, é super importante”, diz Colares.
ESG como estratégia de expansão
A visão vai além da operação. Segundo o CEO, o negócio farmacêutico tem uma responsabilidade ambiental direta, visto que meio ambiente e saúde estão intrinsecamente conectados.
“Saúde começa no ambiente que você está. Se você vive num ambiente saudável, a sua saúde vai ser muito melhor”, destaca.
É essa lógica que justifica os investimentos em energia renovável, logística reversa e eletrificação da frota — e que a companhia quer escalar com a expansão.
Em 2025, os avanços da estratégia foram concretos: a adoção de energia renovável por meio de geração distribuída solar permitiu uma redução de até 40% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao consumo de eletricidade.
Hoje, 52% da energia consumida pela companhia já vem de fontes renováveis, abastecendo 1.050 das 1.642 unidades.
O volume gerado pelas usinas solares e de biogás cresceu 11,7% no período, impulsionado pela expansão das operações no Espírito Santo. A meta é chegar a 100% do parque com energia limpa e ainda faltam cerca de 600 lojas.
Na mesma direção, o grupo iniciou a eletrificação de sua frota de veículos, com o compromisso de alcançar 100% elétrica.
“É onde emitimos uma quantidade considerável de gases de efeito estufa. Na hora que reduzimos esse escopo, é substancialmente benéfico para a saúde de todas as regiões onde estamos”, diz Colares.
Na logística reversa, a companhia atingiu o que considera um marco histórico: 161,3 toneladas de medicamentos vencidos ou em desuso coletados da população em 2025, volume 8% superior ao do ano anterior.
Todas as lojas funcionam como pontos de coleta, e a iniciativa foi ampliada recentemente com coletores de canetas injetáveis em parceria com uma indústria farmacêutica.
“Crescemos ano após ano. Em economia circular, temos resultados consistentes, tanto em medicamentos quanto em pilhas e baterias. E isso também é uma experiência para o cliente”, avalia Luiza Cardoso, gerente de Comunicação de ESG, também à EXAME.
Impacto que chega à ponta
O pilar social também avançou: foram mais de 60 mil serviços gratuitos de saúde no ano passado, com medições de pressão, glicemia e outros cuidados disponíveis em mais de 67 tipos de atendimento nas lojas.
O grupo também doou quase 350 mil produtos para comunidades vulneráveis, entre repelentes, absorventes e itens de higiene pessoal, e mantém parceria com a Diocese do Rio de Janeiro para geração de primeiro emprego em comunidades da Baixada Fluminense e Zona Norte.
Internamente, mais de 79% das lideranças são desenvolvidas por programas próprios, e a companhia soma mais de 1,1 milhão de horas de treinamento.
Para os próximos anos, além do crescimento acima do mercado e da meta de energia 100% limpa, a DPSP projeta avançar na redução de emissões dos escopos 1 e 2 e no fortalecimento da diversidade e inclusão, com foco em pessoas com deficiência, geração sênior, mulheres em liderança e pessoas negras.
O desafio, segundo Colares, será manter essa estratégia de forma consistente à medida que a companhia cresce. Hoje, a DPSP reúne cerca de 29 mil colaboradores e está presente em mais de 300 municípios.
“Nosso propósito é saúde em primeiro lugar. E saúde começa no cuidado com o planeta, com a nossa sociedade e com o nosso negócio”, conclui o CEO.
Por Sofia Schuck
