Holding reforçou posição na Alphabet e voltou ao setor aéreo com compra bilionária da Delta; mudanças refletem nova fase sob comando de Greg Abel
A Berkshire Hathaway promoveu uma ampla reorganização em sua carteira de investimentos no primeiro trimestre de 2026, ampliando exposição a tecnologia e aviação, enquanto reduziu participações em empresas de energia, meios de pagamento, saúde e varejo.
As mudanças foram reveladas em documento regulatório 13-F divulgado após o fechamento do mercado na sexta-feira (15). Entre os principais movimentos, a holding elevou fortemente sua participação na Alphabet, passando de cerca de 18 milhões para quase 58 milhões de ações. O investimento agora é avaliado em aproximadamente US$ 23 bilhões.
A Berkshire também retomou exposição ao setor aéreo ao comprar cerca de 40 milhões de ações da Delta Air Lines, em uma posição estimada em quase US$ 3 bilhões. O movimento marca uma reaproximação da holding com a aviação após a saída de investimentos no setor durante a pandemia de covid-19.
Ao mesmo tempo, a empresa reduziu em cerca de 35% sua posição na Chevron, vendendo aproximadamente US$ 8 bilhões em ações da companhia. Também zerou ou diminuiu participações em empresas como Visa, Mastercard, Amazon, UnitedHealth Group e Aon.
Outra aposta reforçada foi no The New York Times. A Berkshire mais que dobrou sua participação no grupo e passou a deter cerca de 9,4% das ações da companhia. A holding também iniciou uma pequena posição na varejista Macy’s.
Segundo os documentos enviados ao mercado, a Berkshire comprou cerca de US$ 16 bilhões em ações entre janeiro e março e vendeu aproximadamente US$ 24 bilhões no período. A carteira de investimentos listados nos Estados Unidos totalizava US$ 288 bilhões em 31 de março.
As mudanças ocorrem em meio à consolidação da nova estrutura de gestão da Berkshire. O executivo Greg Abel, sucessor de Warren Buffett no comando da companhia, passou a supervisionar a maior parte do portfólio após a saída do gestor Todd Combs para o JPMorgan Chase. Já Ted Weschler administra uma parcela menor da carteira.
Mesmo com as mudanças, as maiores posições da Berkshire seguem concentradas em empresas como Apple, American Express, Coca-Cola, Bank of America e Chevron.
