Colecionáveis seguem despertando nostalgia, conexões e conquistando gerações
Mesmo em plena era digital, os álbuns de figurinhas seguem como um fenômeno cultural e comercial. A cada Copa do Mundo, eles voltam a movimentar bancas, escolas, escritórios e grupos de amigos, mostrando que o apelo vai muito além da praticidade oferecida por aplicativos e plataformas digitais. Para o psicólogo Luiz Gustavo Lara, mestre em Administração de Empresas e docente do curso de Psicologia da Universidade Positivo (UP), o segredo está na experiência emocional que esses produtos proporcionam.
Segundo Lara, o valor não está apenas no objeto físico, mas no processo de busca, troca e conquista. Uma figurinha rara representa expectativa e desafio compartilhado por milhões de pessoas, e muitas vezes o prazer está mais na jornada do que na conclusão. Esse percurso cria envolvimento emocional e reforça a sensação de pertencimento.
A nostalgia também desempenha papel importante. “Muitos adultos não estão apenas comprando figurinhas. Estão reencontrando sensações associadas à infância, às descobertas, às expectativas e aos momentos compartilhados com amigos e familiares. O álbum transforma a Copa em uma pequena aventura pessoal, repleta de histórias para contar”, afirma Luiz Gustavo Lara. Esse elo entre passado e presente fortalece a conexão com o evento esportivo e amplia o valor simbólico do álbum.
Além disso, há uma dimensão social que resiste ao tempo. As tradicionais trocas de figurinhas continuam promovendo encontros e fortalecendo vínculos. “Quando observamos alguém trocando figurinhas, parece uma simples negociação. Mas o que acontece ali vai muito além disso. Crianças aprendem a negociar e lidar com frustrações, famílias compartilham objetivos em comum e pessoas que talvez nunca conversassem encontram um assunto que as conecta”, completa o psicólogo.
Para Lara, o sucesso dos álbuns e outros colecionáveis está ligado à necessidade humana de transformar grandes eventos em experiências pessoais e significativas. Eles trazem a Copa para dentro da rotina, criam memórias e reforçam laços sociais. Em um mundo marcado pela velocidade e pela virtualização das relações, os álbuns de figurinhas seguem oferecendo algo profundamente humano. E é justamente isso que garante sua força e longevidade.
