Rodadas de negócios com cerca de 100 compradores e 150 vinícolas transformam feira em termômetro do setor e impulsionam internacionalização com players de EUA, China e Reino Unido
A Wine South America, que acontece de 12 a 14 de maio em Bento Gonçalves, vai além de uma vitrine de rótulos. Com mais de 400 marcas expositoras, o evento se consolida como um espaço onde o mercado do vinho começa, de fato, a tomar forma — antes mesmo de os produtos chegarem às prateleiras.
O principal motor dessa engrenagem é o Projeto Comprador Nacional, que reúne cerca de 100 compradores e 150 vinícolas brasileiras em rodadas de negócios com reuniões rápidas, objetivas e previamente agendadas. Mais do que fechar contratos, o formato revela tendências, ajusta estratégias e sinaliza o que deve ganhar espaço no consumo nos próximos meses.

“Quando reunimos produtores e compradores de diferentes regiões, começam a aparecer sinais claros de tendências, seja no perfil de consumo, nos estilos de vinho mais procurados ou nas exigências comerciais”, afirma Angélica Brandalise, gestora de projetos do Sebrae-RS.
Na prática, a feira funciona como um laboratório em tempo real. Os encontros de cerca de 15 minutos colocam frente a frente quem produz e quem decide o que será vendido, criando um ambiente de negociação direta que reduz ruídos e acelera decisões. Para pequenas vinícolas, especialmente, o impacto é imediato: acesso a grandes compradores e maior visibilidade no mercado.
É o caso de produtores presentes no estande coletivo Vinhos Gaúchos, iniciativa do Sebrae em parceria com o Consevitis-RS, que reúne cerca de 50 vinícolas do estado e destaca regiões com Indicação Geográfica, como Vale dos Vinhedos e Campanha Gaúcha.
“O projeto cumpre muito bem o papel de abrir portas e aproximar decisores de compra. Mesmo quando a venda não ocorre no momento da feira, o relacionamento iniciado ali é fundamental para futuras conversões”, diz Moisés Brandelli, diretor da vinícola Don Laurindo.
Internacionalização ganha tração
Se no mercado interno a feira antecipa tendências, no exterior ela funciona como ponte. O programa Exporta Mais Vinhos, conduzido pelo Wines of Brazil em parceria com a ApexBrasil, amplia a presença brasileira lá fora ao conectar vinícolas a compradores de mercados estratégicos como Estados Unidos, China e Reino Unido.
Em 2025, a iniciativa gerou uma expectativa de US$ 265 mil em negócios durante o evento, com projeção de alcançar US$ 640 mil ao longo de 12 meses, um indicativo de que o impacto da feira vai muito além dos três dias de realização.
“Essa conexão foi pensada de forma estratégica para que pequenas e médias vinícolas consigam colocar em prática seus planos de exportação e acessar mercados internacionais”, afirma Rafael Romagna, gerente do Wines of Brazil.
Porta de entrada para rótulos globais
No sentido inverso, o Projeto Comprador Internacional (B2B Connection) amplia o acesso do Brasil a vinhos estrangeiros. A iniciativa reúne cerca de 35 compradores nacionais e 80 vinícolas internacionais, com participação de mais de 20 países, incluindo estreias como Nova Zelândia e Alemanha, além de nomes já consolidados como Itália, Portugal e Argentina.
Para empresas estrangeiras, o modelo facilita a entrada no mercado brasileiro. “A iniciativa nos permite acessar contatos que dificilmente conseguiríamos de outra forma”, afirma Florencia Rebudero, gerente de exportação da argentina Finca Flichman.
Já a portuguesa Adega de Azueira reforça o impacto direto nos negócios. “Foi uma excelente oportunidade de contato direto com importadores e conseguimos iniciar e fechar negócios a partir das reuniões”, diz o diretor comercial Bruno Ferreira.
