Plataforma anuncia mudanças após acusações de estupro e pelo menos 3 mil processos na Justiça dos Estados Unidos movidas por passageiros
A Uber vai expandir a lista de condenações criminosas que vetam motoristas de ingressarem na plataforma de corridas. O reforço na segurança foram anunciados após uma investigação do jornal The New York Times apontar que a empresa permitia a entrada de motoristas condenados por abuso infantil, agressão e stalking no aplicativo, em pelo menos 22 estados dos Estados Unidos. A mudança será feita no processo de verificação de antecedentes criminais na plataforma, método usado pela Uber no mundo todo para cadastrar novos motoristas, inclusive no Brasil.
A Uber vai vetar qualquer motorista que tenha cometido um crime que não envolva violência, assim como qualquer um que tenha condenação relacionada a um crime sexual ou envolvendo atos sexuais “por natureza”, conforme o comunicado da empresa divulgado neste domingo. Candidatos à plataforma com antecedência criminal em stalking ou agressão física envolvendo estrangulamento também serão barrados de entrar na plataforma. Todas as mudanças devem ser aplicadas somente para a operação de transporte por aplicativo nos Estados Unidos.
Novos motoristas que se cadastrarem na Uber devem enviar dados de antecedentes criminais uma vez por ano para desbloquearem acesso.
Segundo o jornal The New York Times, uma série de passageiras que pegaram viagens com motoristas com antecedentes criminais prestou acusações a motoristas por abuso sexual e estupro. Em 2021, um motorista da Uber condenado por roubo à mão armada foi acusado de estuprar uma passageira em Tampa, na Flórida, que celebrava seu 21º aniversário. Ele confessou posteriormente a três acusações de crime sexual.
A Uber enfrenta pelo menos 3 mil processos na Justiça americana de abuso sexual, feita por passageiros que relataram que sofreram o crime durante viagens no aplicativo. Os processos entraram na mira dos investidores, e um grupo de acionistas apresentou um processo coletivo contra a plataforma, acusando os executivos de falharem com obrigações legais e de governança.
