Desenho do tarifaço americano poupou grandes exportadores como petróleo, carne, café e aeronaves
Os Estados Unidos confirmaram a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que entra em vigor em 22 de julho, após investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA). Segundo relatório da consultoria MB Associados, a decisão afeta diretamente US$ 9,51 bilhões em exportações do Brasil para o mercado americano, o que representa 25,2% da pauta de 2025. O custo tarifário bruto estimado é de US$ 2,38 bilhões por ano, sem considerar ajustes de mercado ou câmbio.
O desenho final da medida manteve a estrutura proposta em junho, mas ampliou o número de linhas tarifárias excluídas de 1.698 para 2.121. Entre as mudanças, foram criadas três categorias de isenção condicional: peças aeronáuticas civis, produtos químicos destinados ao uso farmacêutico e subposições específicas como suco de laranja fortificado.
Ainda assim, setores industriais de médio valor agregado concentram o maior impacto, com destaque para máquinas e equipamentos (US$ 3,32 bilhões), madeira e móveis (US$ 1,30 bilhão), pneus (US$ 570 milhões) e sebo bovino (US$ 416 milhões). Açúcar e etanol, juntos em US$ 461 milhões, permanecem integralmente sujeitos à tarifa.
O relatório da MB Associados ressalta que grandes exportadores como petróleo, carne, café e aeronaves foram poupados, enquanto a manufatura absorve o ônus. A exclusão da celulose solúvel, justificada por critérios ambientais, é apontada pelo consultoria como precedente relevante para futuras restrições ligadas a desmatamento e sustentabilidade.
Além disso, menciona o documento, há risco de agravamento caso avance a investigação paralela sobre trabalho forçado, que poderia elevar parte das tarifas a 37,5% e expor até 31,6% das exportações brasileiras.
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