Entre expectativas de fazerem bilhões nas ofertas iniciais, empresas de boa qualidade e com diferencial competitivo devem ser as protagonistas dessa onda de IPOs, avalia banco
Nesta semana, investidores se assustaram com mais um episódio de fuga dos papéis de tecnologia nas bolsas de Nova York. Quem mais sofreu na revoada de investidores para longe do mercado acionário americano foi a SpaceX, cujas ações recuaram mais de 17% na última semana. Mas o trem dos IPOs de tecnologia e IA saiu da estação, diz o BTG Pactual, e as novas entrantes serão as empresas que possuem algum diferencial competitivo “excepcional”. É desse contingente de empresas que “algumas das oportunidades mais atraentes” podem surgir da nova safra de ofertas, ressalta o banco de investimentos em relatório.
O novo ciclo se apoia principalmente nas recentes emissões e vendas de ações de empresas de tecnologia. A mais recente prova de que o mercado de IA está crescendo a ritmo e custo acelerados foi a venda própria de ações da Alphabet, dona do Google, que chegou a US$ 80 bilhões. Assim, formou-se uma fila de empresas maduras e prontas para a abertura de capital, deixando de lado ruídos sobre temores de liquidez das ações cujo tema principal é a inteligência artificial. A SpaceX foi a primeira a testar as águas, e o fez a um valor recorde de US$ 85,7 bilhões.
De acordo com o time de estratégia global do BTG Pactual, a safra de IPOs atual colhe frutos de lições do mercado entre 2020 e 2021, última vez em que a janela para ofertas abriu de vez. Muitas empresas aproveitaram o fechamento da janela, entre 2022 e 2023, para fortalecer “rentabilidade, a governança, a eficiência operacional e a disciplina de capital antes de buscar a abertura de capital”, destaca o banco.
Os primeiros lugares da fila de IPO pertencem às empresas excepcionais que dominam IA. Não a toa, a SpaceX, que constrói sistemas e foguetes para viagem espacial, foi consolidada antes da oferta inicial com a xAI, empresa de inteligência artificial do bilionário Elon Musk. O BTG reconhece que alguns segmentos dos provedores de infraestrutura de IA passem por um exagero no valuation, mas aponta que a onda de IPOs a seguir será diferente da famosa “bolha PontoCom”.
“A questão analítica crítica para os investidores em IPOs de IA é em que ponto da cadeia de valor se acumula a economia sustentável”, destaca o BTG.
Novamente, o banco afirma que o atual ciclo de ofertas parece diferente porque o investidor institucional está com a régua mais alta. Como lição, ficaram as bolhas de IPOs de tecnologia de empresas que não demonstraram de onde viria a receita, ou das SPACs, empresas de propósito específico para a abertura na bolsa.
“Na era da internet, a maioria das empresas da camada de aplicativos foi comoditizada pela concorrência; o valor sustentável acumulou-se na infraestrutura (Amazon AWS), na busca (Google) e nas redes sociais (Meta). A questão análoga para a IA: o valor duradouro se acumulará na camada de modelos (OpenAI e suas concorrentes), na camada de infraestrutura (NVIDIA, hiperescaladores) ou na camada de aplicativos (Copilot, ferramentas de IA empresarial)? A resposta define como as aberturas de capital no setor de IA devem ser avaliadas e com quais múltiplos.”
