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“Prioridade é proteger pessoas e empresas”, diz economista do BTG Pactual

Em entrevista a MONEY REPORT, Gabriel Leal de Barros, economista do BTG Pactual e ex-diretor da IFI (Instituição Fiscal Independente), avalia as medidas anunciadas até o momento pelo governo federal para enfrentar os impactos do coronavírus. Barros também comenta as ações necessárias pós-choque para manter o compromisso com o ajuste fiscal e para a retomada da economia. Confira:

Qual o desafio fiscal para o governo na atual situação?

O arcabouço de política econômica que a gente tem não estava preparado para lidar com um choque dessa magnitude. Basta observar o tamanho das quedas e as reações emergenciais dos governos mundiais para conter os efeitos na economia. Em um momento como esse, a prioridade é preservar as pessoas e as empresas.

Como?

Com acesso ao crédito e distribuição de renda. Crédito com custo baixo, facilidades no pagamento e prazos mais longos para que as empresas continuem funcionando. Já o suporte financeiro aos desprotegidos evita uma degradação social no país.

As medidas tomadas pelo governo federal até agora têm sido corretas?

A minha avaliação é que os estímulos econômicos anunciados estão no caminho certo. O essencial é transferir os recursos para a saúde e enfrentar o avanço da doença para que o país saia dessa situação o mais rápido possível. Por isso a importância de o Congresso aprovar o decreto de calamidade pública.

Por quê?

Dá mais flexibilidade e segurança jurídica para adotar as medidas emergenciais. O governo pode criar despesas extraordinárias, ajudar os estados, adiar o recebimento de tributos, transferir renda para as famílias, entre outras ações.

O que fazer para não fugir do compromisso com o ajuste fiscal?

O governo necessariamente vai precisar se endividar e o déficit fiscal no ano vai aumentar. Mas esse momento precisa ser encarado como uma piora temporária, que não vai durar para sempre. A recuperação na China mostra isso, que vamos enfrentar de dois a quatro meses de incertezas. Passado o choque, o governo precisa retomar a agenda de reformas estruturais para colocar a economia nos trilhos. Ter as contas públicas em dia é premissa básica. Então espero que as turbulências atuais fortaleçam as reformas. O Brasil precisa realizar as mudanças que outros países desenvolvidos fizeram no passado.

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