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Precisamos falar sobre o fim da quarentena

De uma hora para outra, esquecemos todo o Fla-Flu ideológico dos últimos tempos. O novo embate nas discussões de hoje é o coronavírus: manter ou não manter a quarentena? Poupar vidas ou reativar a economia? Pensar nas vidas humanas ou apenas no dinheiro?

A princípio, essa parece uma discussão entre o bem e o mal. Mas não é. Em primeiro lugar, vamos parar para pensar: a isolamento social é uma medida exequível por longo prazo? Não. Por isso, precisamos refletir sobre seu final, ocorra ele amanhã ou daqui a seis meses. Vamos também lembrar a razão pela qual o chamado lockdown foi criado. Ao contrário do que se imagina por aí, o motivo principal dessa parada total da aeronave não foi a preservação de vidas. Desligou-se tudo por outro motivo: preservar o sistema de saúde, que corre o risco de entrar em colapso no auge do contágio.

Lembremos da Itália e da China. Não houve leitos de UTI para todos os infectados. Com o isolamento, no entanto, a curva de contágio deixa de crescer muito rapidamente e o sistema de saúde consegue fôlego para aumentar leitos, comprar equipamentos e kits de testes. Ou seja, o contágio não deixará de existir. Mas haverá uma redução na velocidade da epidemia.

Esse vírus é diferente de tudo o que já vimos antes, incluindo o H1N1. Seu grau de contágio é enorme; o número de pessoas infectadas e sem sintomas é grande, mas ainda  não pode ser mensurado.

Autoridades sanitárias e a maioria dos médicos estimam que 60 % da população vão entrar em contato com o coronavírus nos próximos dois anos. Isso não quer dizer que todos serão contaminados ou que vão apresentar os sintomas da doença. Mesmo assim, a quarentena, mesmo que dure seis meses, não vai acabar com o vírus. Ele continuará por aí. Teremos que conviver com o corona, assim como enfrentamos o influenza desde o início do século 20.

A gripe espanhola serve de exemplo para ilustrar a situação na qual vivemos. Foi uma tragédia devastadora, que ceifou milhões de vidas no mundo inteiro, numa época em que não havia respiradores, tratamento adequado através de drogas ou testes de laboratório. Mesmo assim, as pessoas deixaram a quarentena e retomaram suas vidas.

Circularam pelas redes, nos últimos dias, vídeos de empresários clamando pelo fim do confinamento, em defesa da economia. Para um deles, a morte de 5 ou 7 mil pessoas deve ser encarada com naturalidade em função do estrago que a depressão econômica pode trazer e do caos social que se seguiria. Evidentemente, trata-se de um mau argumento, sempre frágil diante de uma pergunta elementar: e se uma dessas mortes fosse de alguém da sua família?

A discussão, no entanto, não precisa ser moral ou entrar na seara “escolha de Sofia”. O que se debate, hoje, é a adoção daquilo que se chama nos Estados Unidos de solução militar. Os mais velhos (neste caso, o grupo de risco) ficariam protegidos e os mais novos (cuja probabilidade de ser mortos pela doença é mínima) iriam ao front – no caso, trabalhar e fazer a roda da economia girar.

Portanto, é possível, fugir do dilema, protegendo as vidas dos grupos de risco e reativando a atividade econômica ao mesmo tempo.

Some-se a isso o grande potencial de drogas como a hidroxicloroquina e a cloroquina. Seu uso mostrou resultados bastante positivos e podem reduzir significativamente o tempo de internação dos pacientes acometidos pelo coronavírus. Isso também contribuiria para evitar o colapso do sistema de saúde – repito, a principal razão para que estejamos confinados em casa.

Ainda não se tem a confirmação de todos os médicos sobre os efeitos profiláticos da cloroquina. Mas a lógica de seu funcionamento leva a crer que isso seja possível. Os médicos, no entanto, ainda querem ver mais testes e comprovações. É compreensível. No afã de salvar vidas, podemos utilizar substâncias que criem efeitos colaterais danosos à vida e disparar outra onda de problemas.

Ocorre que estamos falando de uma droga que existe há 70 anos, criada para combater a malária e utilizada amplamente para o tratamento da sarcoidose. A cloroquina tem a capacidade de mudar o Ph de nossas células, impedindo que o vírus se reproduza no organismo e combatendo a doença de forma eficaz. Precisa de mais testes? Sim. Mas seu uso, até aqui, tem mostrado resultados positivos. Por que não liberar a droga nas farmácias?

O fato é que há como sairmos desse impasse. Teremos de conviver com esse vírus daqui para a frente, assim como os nossos bisavôs tiveram de enfrentar, em algum momento de suas vidas, o influenza. Mas, para preservar os mais velhos, vamos deixá-los um pouco mais em confinamento até que se confirme, por exemplo, o uso preventivo da cloroquina – ou outra solução.

A quarentena, no entanto, vai acabar em algum momento – por pressões econômicas ou comportamentais. Assim, é melhor liderarmos esse processo e evitar uma depressão sem precedentes, daquelas que podem criar violência e sofrimento decorrentes de eventuais convulsões sociais.

Uma música de Baden Powell e Lula Freire, gravada em 1966 por Elizeth Cardoso, tem um título bastante apropriado para os dias de hoje: “Cidade Vazia”. Essa canção começa assim: “Há um momento na vida/ em que é preciso lutar”. Este é o espírito dos dias atuais. A quarentena nos jogou em um estado de estupefação, num compasso de espera que parece ser eterno. Precisamos tomar a dianteira e conduzir este processo com responsabilidade, sem arriscar desnecessariamente vidas – mas recolocando a locomotiva nos trilhos. Caso contrário, podemos sair de um pesadelo para ingressar em outro, muito pior.

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Comentários

Uma resposta

  1. Existem efeitos colaterais imensos nessa droga que ainda não foi totalmente tratada por grandes grupos de doentes. As soluções vão chegar com o tempo. Enquanto isso, o correto é manter o isolamento necessário.

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