PATROCINADORES

O que foi o Plano Marshall

Para quem ficou surpreso com o fundador da XP, Guilherme Benchimol, citando o Plano Marshall como exemplo de possível pacote de proteção econômica para estes tempos de pandemia, valem algumas explicações. O plano foi um programa de ajuda econômica em larga escala dos Estados Unidos para a reconstrução de 18 países da Europa Ocidental, após a destruição causada pela Segunda Guerra Mundial. Seu nome oficial era Programa de Recuperação Europeia e fez parte da Doutrina Truman – um conjunto de ações para ajudar os “elos frágeis” do sistema capitalista diante das instabilidades que poderiam servir para a expansão do nascente Bloco Socialista no princípio da Guerra Fria.

Capitaneado pelo presidente Harry S. Truman, que governou de 1945 a 1953, o plano levou o nome do secretário de Estado George Marshall. A ajuda econômica foi de US$ 14 bilhões (cerca de US$ 142 bilhões, em valores corrigidos para fevereiro de 2020) e foi dividida em base per capita. Até hoje não há consenso entre os pesquisadores sobre os valores totais. Dos países beneficiados, as maiores fatias foram para as potências industriais. O Reino Unido ficou com 26%, seguido da França, com 18%, e Alemanha Ocidental, com 11%. O plano vigorou de 1948 a 1951 e foi construído mais na forma de doações de recursos mediante compromissos políticos do que empréstimos.

Em comparação com o quadro atual, existem diferenças fundamentais. Naquele momento, os Estados Unidos estavam fortalecidos em relação aos seus aliados e adversários, o que não deve ocorrer nos próximos tempos, dada a penúria econômica global que se avizinha. Outro ponto fundamental é que o plano foi executado depois do conflito, com as demandas de cada país relativamente alinhadas, consumo reprimido, receio de qualquer tipo de autoritarismo nacionalista e otimismo com a reconstrução. De acordo com o professor de Yale, John Lewis Gaddis, o mérito central do plano foi evitar a fome e a pobreza, além dos “benefícios psicológicos imediatos e, mais adiante, benefícios materiais”.

O resultado foi a estabilização da Europa Ocidental e a consolidação da Organização Europeia para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma das bases da União Europeia. A OCDE hoje congrega 36 países – o único integrante sul-americano é o Chile. À direita e à esquerda, pesquisadores questionam até hoje a validade real do plano, já que alguns países já estavam em recuperação. Mas não há dúvidas sobre a eficiência da utilização dos recursos alocados. Em “Continente Sombrio”, o pesquisador polonês Mark Mazower indica que a contraparte socialista do Plano Marshall, a Comecom, despejou na Europa Oriental um volume similar de recursos, mas de longe sem o mesmo sucesso. Todavia, os norte-americanos não conseguiram impor seu modelo de governo aos europeus, que preferiram aderir, com variações, a um liberalismo com agenda social-democrata.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pergunte para a

Mônica.