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O novo tarifaço de Trump e a lição que o Brasil precisa aprender

Da redação
16 de julho de 2026

As novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros reacendem um debate que há anos se repete no país: calcular impactos imediatos, ouvir especialistas e esperar por negociações diplomáticas.

Mas, como aponta Fabio Ongaro, economista italiano e CEO da Energy Group, o problema nunca foi a tarifa em si. O mundo mudou e o comércio internacional deixou de ser apenas comércio.

Hoje, disputam-se fábricas, minerais críticos, tecnologia e cadeias de suprimento com a mesma intensidade que antes se disputavam mercados consumidores. Eficiência continua relevante, mas segurança nacional e resiliência passaram a ter peso semelhante.

Conforme Fabio Ongaro, Donald Trump apenas acelerou uma tendência já em curso. As tarifas perderam parte de sua eficácia porque empresas aprenderam a se adaptar. Cadeias globais mudam fornecedores, deslocam produção e reorganizam logística com rapidez inédita. O choque inicial existe, mas raramente se mantém por muito tempo.

“O mercado aprendeu a contornar obstáculos. Governos, nem sempre. Talvez seja justamente aí que esteja a maior lição para o Brasil. Nossa reação continua excessivamente defensiva. Cada nova barreira comercial é tratada como um desastre inevitável, quando deveria ser encarada como um teste de competitividade. Empresas realmente competitivas não dependem de um único mercado. Países realmente preparados não apostam todas as fichas em um único parceiro comercial”, afirma o CEO da Energy Group.

“Há uma diferença importante entre um obstáculo e uma desculpa. As tarifas são um obstáculo. Tornam a competição mais difícil. Mas elas não explicam por que países submetidos às mesmas pressões conseguem crescer mais, exportar mais e atrair mais investimentos do que nós. Talvez porque tenham entendido uma verdade simples: o mundo deixou de premiar quem espera estabilidade. Passou a premiar quem se adapta mais rápido”, acrescenta.

Para o Brasil, ressalta Fabio Ongaro, a lição é que o país ainda enfrenta baixa produtividade, infraestrutura cara, sistema tributário complexo e ambiente regulatório pesado. Nenhuma dessas fragilidades foi criada por Trump e nenhuma desaparecerá com o fim de seu mandato.

O desafio, de acordo com ele, não é apenas lidar com tarifas, mas preparar-se para um cenário global em constante transformação, onde crises energéticas, rupturas tecnológicas e novas disputas comerciais são inevitáveis. A questão não é quando as tarifas vão acabar, mas se o Brasil estará pronto para o próximo choque.

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