Ramo de empregos e serviços para levar o homem cada vez mais longe da Terra crescem 9% ao ano nos EUA
O tão aguardado IPO da SpaceX saiu do papel finalmente e, com ele, veio a amostra de que há um vasto apetite no mercado de capitais por empresas que fazem parte da economia espacial. Pesquisa, defesa espacial, empresas de viagens orbitais e infraestrutura estão entre as que fazem parte do setor, projetado para movimentar US$ 1,8 trilhão até 2035, segundo dados do Fórum Econômico Mundial.
O IPO atingiu recorde para uma abertura de capital em Wall Street, mas não foi surpresa na praça. No segundo trimestre de 2025, de acordo com a ONG americana Space Foundation, a economia espacial chegou a US$ 613 bilhões. O birô de análise econômica (BEA) americano calcula ainda que está é uma indústria com crescente participação dos jovens: quase metade das vagas entre 2014 e 2024 foram preenchidas por trabalhadores abaixo dos 35 anos.
À emissora CNBC, o cientista de dados Dean Boerner, da Rivelio Labs, afirma que anúncios de vagas de empresas voltadas para o setor espacial aumentaram 40% neste ano em relação a 2025, crescendo bem acima da média do emprego nos EUA. “Os anúncios de novos postos de trabalho nos EUA recuaram 5% no ano a ano, tornando evidente o aumento significativo de oportunidades no setor aeroespacial”, pontua Boerner.
Pela alta demanda por funcionários, a folha salarial do setor aeroespacial acompanhou o ritmo. O BEA calcula que o desembolso com empregados ligados a essa indústria é de US$ 57,9 bilhões, com a média salarial de US$ 100 mil a US$ 135 mil por ano. Alguns deles, ex e atuais funcionários da SpaceX, se tornaram milionários com a entrada da empresa na bolsa — ela era responsável por metade dos lançamentos espaciais em 2025, de acordo com a Space Foundation.
A exploração e telecomunicação espacial, entratanto, depende sobretudo de gastos governamentais: o PIB real do setor cresceu 0,6% em 2023 puxado por uma alta de quase 8% nos setores de defesa, de interesse nacional dos EUA. O ramo de atacado voltado para economia espacial encolheu 5,4% no mesmo período, segundo o BEA.
Companhias como a SpaceX e a Firefly Aerospace, que fez seu IPO no ano passado, ainda têm dificuldade de preencher vagas na economia espacial porque os postos são para a mão de obra altamente qualificada. O mercado americano não acompanhou o ritmo da indústria ainda — esse desafio de contratação estava presente, inclusive, dentre os riscos de valuation da SpaceX no formulário S1, entregue na etapa pré-IPO.
