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Focus eleva projeções para inflação e mantém expectativa de juros elevados em 2026

Da redação
22 de junho de 2026
Selic passou de 13,75% para 14%, marcando três semanas consecutivas de revisão para cima

As expectativas do mercado financeiro para a inflação voltaram a subir, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC). Pela segunda semana consecutiva, os analistas elevaram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, ao mesmo tempo em que reforçaram a expectativa de manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado ao longo do próximo ano.

Para 2026, a estimativa para a inflação passou de 5,32% para 5,34%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Já a projeção para a taxa Selic ao fim do próximo ano avançou para 14% ao ano, indicando que o mercado espera um ciclo prolongado de juros elevados diante da resistência da inflação. Para 2025, a expectativa para a Selic foi mantida em 15% ao ano.

O levantamento também mostrou leve deterioração nas perspectivas para a inflação de 2025, mesmo após o arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A avaliação predominante entre economistas é que fatores domésticos, como a pressão sobre os preços de serviços, a atividade econômica resiliente e as incertezas fiscais, continuam exercendo maior influência sobre as expectativas inflacionárias do que os fatores externos.

Em relação ao crescimento da economia, o mercado manteve praticamente estáveis as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), indicando expectativa de desaceleração gradual sem previsão de recessão – elevação para 1,98% neste ano. As estimativas para o câmbio também permaneceram próximas às registradas nas semanas anteriores, refletindo relativa estabilidade nas expectativas para a cotação do dólar.

As revisões do Boletim Focus reforçam o desafio enfrentado pelo Banco Central para conduzir a política monetária em um ambiente de inflação ainda acima da meta. Com expectativas desancoradas para os próximos anos, o cenário continua apontando para a necessidade de juros elevados por mais tempo, na tentativa de conter a alta dos preços e reconduzir a inflação aos objetivos definidos pela autoridade monetária.

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