Estudo aponta avanço da digitalização industrial, mas mostra que WhatsApp e e-mail ainda dominam as vendas B2B no país
O comércio eletrônico entre empresas no Brasil já movimenta R$ 2,22 trilhões por ano, segundo dados do Índice de Digitalização Comercial da Indústria (IDCI) 2025, elaborado pelo Observatório da Indústria Digital Flexy. O volume representa 31,2% de toda a movimentação da indústria nacional.
O levantamento mede as transações digitais realizadas no mercado B2B industrial, segmento que ainda recebe menos atenção do que o varejo online voltado ao consumidor final. Para comparação, o e-commerce B2C brasileiro movimenta cerca de R$ 224 bilhões por ano.
Segundo o estudo, o crescimento do comércio eletrônico entre empresas está ligado não apenas à expansão do mercado, mas também à migração de processos tradicionais para plataformas digitais. Pedidos antes realizados por telefone, representantes comerciais, fax ou e-mails manuais estão sendo substituídos por aplicativos, marketplaces B2B e portais integrados.
Apesar do avanço, o estudo mostra que a digitalização da indústria brasileira ainda ocorre de forma parcial. Dados do Cetic.br citados no relatório indicam que 82% das vendas digitais industriais ainda passam pelo WhatsApp, enquanto 73% utilizam e-mail como principal canal de negociação.
Apenas 27% das empresas industriais operam vendas por canais estruturados, como marketplaces, plataformas próprias ou sistemas integrados ao ERP.
O relatório aponta que o cenário abre espaço para a expansão de plataformas especializadas, distribuidores digitais e fabricantes com operações mais integradas.
Nos Estados Unidos, segundo dados do Digital Commerce 360 mencionados pelo estudo, o e-commerce B2B registra crescimento em dois dígitos há cinco anos consecutivos, superando o ritmo de expansão do mercado total.
O índice foi elaborado com base em três frentes de dados: o Valor Bruto da Produção (VBP) do IBGE, informações de arrecadação de ICMS do Confaz e dados transacionais de boletos bancários B2B.
Segundo os pesquisadores, a indústria brasileira ainda possui amplo espaço para acelerar a digitalização comercial, principalmente na substituição de processos manuais por sistemas integrados e mensuráveis.