Ata do Copom destaca que período prolongado de juros em patamar contracionista criou espaço para ajustes graduais
A ata da última reunião do Copom mostra que o Banco Central segue cauteloso diante de um cenário externo marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos. Esse ambiente mantém a volatilidade elevada e reforça a necessidade de prudência na condução da política monetária.
No Brasil, a atividade econômica dá sinais de moderação, enquanto o mercado de trabalho continua resiliente, com desemprego baixo e salários em alta. A inflação, porém, voltou a acelerar e as expectativas para os próximos anos permanecem acima da meta, o que exige do BC uma postura firme para evitar desancoragem ainda maior.
O Comitê destaca que a política fiscal tem papel crucial nesse processo. Reformas estruturais e disciplina nas contas públicas são vistas como fundamentais para reduzir o prêmio de risco e permitir que a política monetária seja mais eficaz. Sem esse movimento, o custo da desinflação tende a ser maior e o ciclo de cortes da Selic mais lento.
Na discussão sobre a condução da política monetária, o Copom avaliou que o período prolongado de juros em patamar contracionista já trouxe evidências de desaceleração da atividade, criando espaço para ajustes graduais. Diante disso, decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. O Comitê reforçou que a duração e a intensidade desse ciclo dependerão da evolução dos dados e da clareza sobre os impactos dos conflitos internacionais.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos seis membros do Comitê, incluindo o presidente Gabriel Galípolo. O BC reafirmou que, em meio à elevada incerteza, seguirá com serenidade e cautela, calibrando os próximos passos de forma a garantir a convergência da inflação à meta, suavizar oscilações da atividade e preservar o pleno emprego. Em suma, o ciclo de cortes da Selic tende a continuar, mas a conta-gotas.
