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Apartamentos compactos puxam valorização dos imóveis em 2026, aponta FipeZap

Da redação
17 de junho de 2026
Demanda por locação, avanço do short stay e busca por mercados fora do eixo tradicional ajudam a explicar o desempenho dos imóveis de um dormitório

Os apartamentos de um dormitório ganharam força no mercado imobiliário em 2026. Segundo o Índice FipeZap, esse tipo de imóvel acumulou valorização de 7,35% nos últimos 12 meses, acima de outras tipologias residenciais e da inflação do período.

O movimento combina mudança no perfil de moradia, maior demanda por locação e avanço dos imóveis de curta temporada. Em um cenário de juros elevados, unidades compactas passaram a atrair investidores por exigirem menor desembolso inicial, terem custos operacionais mais baixos e apresentarem maior liquidez.

A alta ocorre em um mercado aquecido. Em maio, 51 das 56 cidades monitoradas pelo FipeZap registraram aumento no preço de venda dos imóveis residenciais. Ainda assim, os compactos se destacam pela demanda constante em regiões urbanas, universitárias e turísticas.

Parte desse desempenho vem do crescimento do short stay, modelo de locação de imóveis mobiliados por períodos curtos. Segundo dados do AirDNA, o número de unidades listadas nesse formato passou de 205 mil em 2021 para mais de 619 mil em 2026.

Para Renan Lopes, especialista em imóveis e sócio da Smart Leilões, a preferência pelos compactos está ligada à rentabilidade. “Os apartamentos de um dormitório costumam apresentar alta liquidez e demanda constante para locação, especialmente em regiões urbanas e turísticas. Isso reduz o tempo de vacância e aumenta o potencial de retorno para o investidor”, afirma.

O avanço dos preços também deslocou a atenção para mercados fora do eixo tradicional. Entre as cidades com maior valorização em maio, capitais nordestinas aparecem nas primeiras posições: Aracaju teve alta de 1,88%, seguida por João Pessoa, com 1,46%, Teresina, com 1,43%, Salvador, com 1,15%, e Natal, com 1,01%.

Em João Pessoa, o metro quadrado chegou a R$ 8.199, ainda abaixo de regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, onde os preços médios superam R$ 11 mil por metro quadrado em diversos bairros. Para Paulo Dornelle, fundador e CEO da Okre Imóveis, o Nordeste tem atraído investidores pela combinação de qualidade de vida, desenvolvimento urbano e potencial de valorização.

“O Nordeste vem apresentando crescimento consistente, qualidade de vida elevada, desenvolvimento urbano e forte valorização imobiliária. É um mercado que ainda oferece oportunidades relevantes de ganho patrimonial quando comparado a capitais mais consolidadas, que já operam com preços muito mais elevados”, afirma.

Para o mercado, os imóveis compactos se beneficiam de uma mudança estrutural: mais pessoas morando sozinhas, maior mobilidade profissional e crescimento da locação por temporada. O desafio será manter o equilíbrio entre valorização e acessibilidade, justamente o fator que tornou esse segmento mais atrativo para investidores.

A leitura do mercado é que os imóveis compactos se beneficiam de uma mudança estrutural, e não apenas de um movimento pontual de preços. O aumento de pessoas morando sozinhas, a maior mobilidade profissional e o crescimento da locação por temporada ajudam a sustentar a demanda por unidades menores.

Para investidores, o atrativo está na combinação entre menor desembolso inicial e maior potencial de ocupação. Para incorporadoras e imobiliárias, o desafio será equilibrar oferta e preço para evitar que a valorização reduza justamente o diferencial que tornou esse segmento mais competitivo: a acessibilidade de entrada.

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