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Preciso falar da minha dificuldade em encontrar palestrantes femininas

Em tempos de pandemia, tivemos uma profunda mudança em nossas vidas e nos nossos negócios. No caso da nossa atividade, houve a impossibilidade de nos reunir presencialmente, que motivou MONEY REPORT a realizar uma intensa agenda de debates virtuais. Nesta programação, avaliamos temas e painelistas. Não levamos em consideração se os palestrantes são homens ou mulheres. Consideramos o perfi de cada um e as e contribuições que podem dar no contexto dos eventos virtuais. Batido o martelo em relação à temática e aos nomes, eu pessoalmente faço os convites aos debatedores.

Nossos painelistas são invariavelmente pessoas que estão na liderança das companhias. Isso certamente reduz o número de mulheres do nosso hall de opções. Mesmo assim, ainda temos brilhantes representantes do sexo feminino em diversas esferas. Na área privada, há vários exemplos, como Luiza Helena Trajano, Janete Vaz, Sylvia Coutinho, Tânia Cosentino e Paula Paschoal. No panorama público, há a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a deputada federal Joice Hasselman ou Patricia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo, entre outras. Todas igualmente brilhantes.

Frequentemente sou questionada por não haver um número alto de debatedoras em nossos eventos. Nesta semana, isso aconteceu de novo – e foi tal questionamento que me motivou a escrever esse texto. A minha resposta é simples: infelizmente, as mulheres não são tão disponíveis quanto os homens. Com frequência, planejamos ter uma mulher em determinado painel e ou entrevista. Mas precisamos alterar essa orientação por falta de disponibilidade delas. Algumas argumentam estar muito demandadas com o home office. Outra apontam a dificuldade em conciliar filhos em casa com a a agenda corporativa em home office. Há também outras questões que não se limitam à quarentena, mas isso pode ficar para outra ocasião.

Essa dificuldade bate com o que ouvi de uma amiga empresária. Volta e meia, ela chama uma executiva para promovê-la. Mas não é raro escutar uma negativa, pois a subordinada não deseja estar mais tempo à disposição da companhia para viagens ou enfrentar horários mais estendidos.

Como mulher, observo bastante que temos várias executivas focadas nas suas carreiras e até sacrificando suas vidas pessoais. Mas também existe um número considerável de pessoas que preferem equilibrar a vida pessoal e profissional em troca de abrir mão de alguns desafios para isso.

Quando minha filha nasceu há 12 anos, optei sair de licença por 5 meses porque queria me permitir priorizar naquele período toda a magia da maternidade.  Confesso que 5 meses de pausa foram suficientes para causar alguns impactos irreversíveis para minha carreira na empresa em que trabalhava.

Por cerca de quatro anos, segui em frente, com foco e cumprimento total de minhas metas. Porém, tinha um limite: não queria viajar ou estender demais meu horário noite afora. De novo, a conta veio e veio com força total. Estes meses me custaram muito e seu resultado no ritmo de crescimento da minha carreira foi significativo. Por isso, resolvi me desligar da empresa na qual trabalhei por 10 anos e empreender.

Jamais me arrependi e, se tivesse que voltar no tempo, faria exatamente o mesmo. Mas alerto sempre minhas amigas que, ao fazermos certas opções, precisamos estar atentas aos riscos de nossas decisões. Neste caso, minha escolha trouxe a plenitude como mãe e como mulher. Depois, fui correr atrás das perdas no âmbito profissional. Muitas vezes, uma escolha como esta traz consequências tão implacáveis que você pode até precisar zerar sua trajetória e mudar o rumo.

Lembro de um dia que, tentando negociar uma perda significativa que tive em meu sistema de remuneração após voltar de licença maternidade, argumentei com meu então chefe. “Você fez esta mudança por ocasião da minha licença maternidade”, disse a ele. “Mas minha filha está com 4 anos agora”.

Para mim não há certo ou errado no desenvolvimento profissional. Há, sim, questões relativas às opções que fazemos. Assim, não podemos nos vitimizar e culpar a falta de oportunidades e a discriminação como únicos fatores de não estarmos em um número significativo em cargos de liderança. Isso se reflete também na participação como debatedoras em painéis e outras atividades. A vida é feita de escolhas e de prioridades. Portanto, vale refletir antes de tomar uma decisão e pensar: de alguma forma serei preterida no futuro por conta dessa escolha?

Existem diversos grupos somente para mulheres e iniciativas que exclusivas dirigidas a nós, mas particularmente adoro a pluralidade que temos quando homens e mulheres se juntam. Por trafegar num ambiente predominante masculino, a maioria dos meus clientes e são homens. Apesar disso, sempre sou absolutamente respeitada.

Que tal trazer um pouco destas questões para o seu universo e refletir um pouco? Independente de nosso gênero, não precisamos nos impor a ninguém e a nenhuma organização ou empresa. Devemos, sim, conquistar nosso espaço com nossas atitudes, com conhecimento e respeito – sempre conquistados e nunca impostos.

Isso me parece muito mais desafiador e compensador. E para você?

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