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As marcas mais usadas por golpistas para enganar consumidores no Brasil

Da redação
21 de junho de 2026
Relatório mostra que Mercado Livre, Nubank, Shopee, Serasa e Globo estão entre os nomes mais explorados por criminosos para dar aparência de legitimidade a fraudes que prometem dinheiro fácil e exigem pagamentos via Pix

Marcas consolidadas do varejo, do setor financeiro e de plataformas digitais seguem entre os principais instrumentos utilizados por criminosos para aplicar golpes online no Brasil. Levantamento do Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa, identificou que mais de 15 empresas tiveram suas identidades exploradas em conteúdos fraudulentos altamente virais que circularam entre maio de 2024 e abril de 2026. Mercado Livre e Nubank lideram a lista, com quatro ocorrências cada, seguidos por Shopee, Serasa e Globo.

A pesquisa analisou 115 golpes de grande alcance e aponta que 74% deles recorreram à credibilidade de empresas ou personalidades conhecidas para conferir aparência de autenticidade às fraudes. O objetivo, segundo os pesquisadores, é aumentar a confiança das vítimas em falsas promoções, indenizações inexistentes, vagas de emprego fraudulentas e supostos benefícios sociais, quase sempre acompanhados da promessa de ganhos financeiros rápidos.

Os dados mostram ainda que 71% dos golpes prometiam algum tipo de vantagem econômica e cerca de um terço exigia pagamentos exclusivamente via Pix, normalmente sob o argumento de liberar brindes, descontos ou benefícios. Além disso, em 66% dos casos analisados, os criminosos utilizaram fatos reais — como campanhas oficiais, decisões judiciais, reportagens e comunicados públicos — para construir narrativas enganosas, tornando as fraudes mais difíceis de identificar.

Segundo Beatriz Farrugia, pesquisadora responsável pelo estudo, os golpistas têm reutilizado estruturas já conhecidas, adaptando apenas a narrativa ao contexto do momento. “Os criminosos não precisam criar golpes completamente novos para continuar fazendo vítimas. Eles reutilizam estruturas que já funcionaram, adaptam a narrativa ao contexto do momento e se aproveitam da confiança que as pessoas depositam em marcas conhecidas, instituições e figuras públicas”, afirma.

O relatório também aponta que a maioria das fraudes começa em redes sociais abertas e migra para formulários online e aplicativos de mensagens, com o WhatsApp presente em quase 65% dos golpes analisados no período mais recente. Para os pesquisadores, compreender os padrões de atuação dos criminosos é fundamental para que empresas, plataformas digitais, instituições financeiras e consumidores consigam antecipar ameaças e reduzir o impacto das fraudes.

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