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Resgatando um herói de infância: Tintim

Aluizio Falcão Filho
21 de agosto de 2022

Em minha convalescência da cirurgia de quadril, saí de casa pela primeira vez no dia de ontem (onze dias no estaleiro). Enquanto fiquei trancafiado aqui, aproveitei o tempo para dar uma olhada em livros antigos e revistas velhas. Topei com a coleção de quadrinhos desenhada pelo belga Hergé: as aventuras de Tintim. A primeiro fascículo colorido desta série surgiu 80 anos atrás (antes, todos eram publicados em preto e branco e o primeiro foi lançado há 92 anos).

Era absolutamente fissurado por essa coleção – na minha infância, vinha em capa dura, ao contrário das edições mais recentes. A combinação de títulos e imagens na capa era perfeita e sugeriam uma história cheia de aventura. Além disso, o protagonista era um rapaz com shape de adolescente (e, para mim, o personagem tinha um bônus: era repórter de um jornal).

Durante algum tempo, os politicamente corretos fizeram questão de trabalhar contra essa série. Disseram que o autor tinha sido colaboracionista com os nazistas durante a Segunda Guerra (como foram praticamente todos os cidadãos belgas, moradores de um país praticamente desmilitarizado) e que a visão difundida sobre determinados povos era bastante preconceituosa (algo comum nas décadas de 1930 a 1960, quando esses quadrinhos foram produzidos).

Não consigo ser sensível a esses argumentos. Entre a infância e adolescência, lia historietas de um jovem que vencia o mal usando apenas sua inteligência e astúcia, acompanhado de um cachorrinho e de um capitão do mar trapalhão e chegadíssimo em uma birita. Há um desfile de personagens secundários fantásticos: a cantora Castafiore, o surdo professor Girassol, o vilão Rastapopulos e a dupla de detetives Dupont e Dupond (em inglês, o nome dos dois, “Thompson Twins” serviu para batizar um trio de música pop que fez sucesso nos anos 1980).

Os títulos dos livros eram convidativos e intrigantes: “O Cetro de Ottokar”, “Os Charutos do Faraó”, “Vôo 714 para Sidney”, “O Segredo do Licorne”, “Perdidos no Mar” e “As Joias da Castafiore”. Li alguns nesses últimos dias, me deliciando a cada página. Não tem o que fazer neste domingão? Vá até uma livraria e compre logo meia dúzia. Diversão garantida.

Ah, tenho algumas miniaturas aqui em casa: o foguete de “Rumo à Lua” e um carrinho amarelo, com Tintim, Milu e o Capitão Haddock. Eles estão guardados ao lado de brinquedinhos que me lembram a infância, como o robô de “Perdidos no Espaço”, o intercomunicador de “Jornada nas Estrelas” e o Batmóvel. Você não tem esses ícones que te colocam em sintonia com sua infância? Recomendo comprar alguns. Faz um bem danado – mesmo que seja por alguns segundos.

Cantinho das recordações de infância em minha casa
Em destaque, o carrinho de Tintim e o foguete no qual ele viaja à Lua
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