Uma das máximas do mundo corporativo foi dita pelo bilionário Warren Buffet: “Leva 20 anos para construir uma reputação e 5 minutos para destruí-la”. Buffett disse isso a seu filho em uma viagem de férias nos anos 1960, quando não havia internet, mídias sociais ou redes de networking. Se essa frase já tinha um grande peso naquela época, imagine agora.
Com o surgimento das redes sociais, os riscos para qualquer pessoa que tenha criado uma boa reputação aumentaram substancialmente. Até porque essas mídias digitais funcionam como usinas alimentadoras da vaidade. Conforme essas pessoas são validadas por legiões de seguidores e fãs, elas podem ganhar confiança excessiva e acreditar que todas as suas opiniões são verdades absolutas e incontestáveis.
E é aqui que mora o perigo. Quanto mais se fala, maior é o risco de proferir uma bobagem para uma multidão de seguidores. Lembremos que há três grupos de followers na internet, em especial nas redes sociais: os admiradores, os curiosos e os haters.
Quando um hater testemunha alguma frase que não gostou ou discorda frontalmente, há um risco muito claro: o de se criar um rastilho de pólvora que vai resultar em uma enorme polêmica. E a exposição da controvérsia vai trazer para a discussão pessoas alheias a quem emitiu uma opinião desastrada e vão repassar a confusão adiante, escalando o tamanho da encrenca.
Há tipo de ameaça traiçoeira para quem começou a ganhar exposição pública hoje, especialmente entre aqueles empresários jovens que adoram as redes sociais e postam diariamente em suas contas particulares ou institucionais: a famigerada caixinha de perguntas.
Quando alguém estimula uma multidão de seguidores a fazer questionamentos, os assuntos serão os mais variados. E ninguém tem conhecimento ou discernimento para falar de tudo. Nessas horas, alguma besteira poderá ser proferida. Ou então o problema pode ser de semântica – aquele momento em que nos expressamos mal e não podemos voltar atrás.
Além disso, podemos estar em uma dia ruim sem que percebamos isso. Alguma pergunta pode pressionar um botão invisível, que desencadeia uma reação agressiva por parte de quem está buscando alguns momentos de bajulação por parte dos admiradores.
A caixinha de perguntas também está presente em eventos que têm influenciadores como grandes estrelas. Recentemente, a empresária Natália Beauty entrou em uma dessas confusões, depois de ser inquirida por uma biomédica em um evento. Essa moça questionou Natália e o marido sobre quais seriam os motivos pelos quais ela deveria contratar a mentoria do casal.
Ele respondeu falando que ninguém faturava o mesmo que sua empresa (R$ 150 milhões) e que isso era credencial suficiente. Já Natália ficou emburrada e disse: “Não quero você no meu grupo”. A reação nas redes sociais foi instantânea. E Natália apareceu alguns dias depois pedindo desculpas. Nessas horas, entretanto, há sempre o risco de a emenda ficar pior que o soneto.
O melhor, assim, é evitar um confronto direto com uma caixinha de perguntas, virtual ou não, antes de aprender a controlar as emoções ou avaliar suas repostas antes de postar. O mundo de hoje é marcado por duas características: rapidez e intransigência. Poucos têm a capacidade de perdoar ou deixar barato um vacilo.
Por isso, a máxima de Warren Buffet nunca teve tanta importância. Não perca todo o seu capital social em cinco minutos. Mesmo que você não tenha levado 20 anos para construí-lo.