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A mina bilionária que pode levar a Atlas ao olimpo

André Vargas
14 de março de 2026
Criada por Marc Fogassa, a Atlas Critical Minerals se prepara para explorar grafita de alto teor no sertão do Jequitinhonha (MG) para atender à transição energética

A TACADA da SEMANA de MR nasceu de uma nota ao mercado que precisa ser um pouco esmiuçada para indicar sua real importância ao setor extrativo e às exportações – quem sabe à indústria local também. Por trás dessa história há um brasileiro que atuou no exterior e controla duas companhias listadas na Nasdaq que possuem os pés fincados no subsolo de Minas Gerais.

Marc Fogassa (imagem) nasceu em São Paulo, fez Harvard, teve sucesso com finanças, investiu em empresas e, depois de se consolidar, resolveu ir adiante. Ele é o CEO e fundador da Atlas Lithium e da Atlas Critical Minerals, criadas para aproveitar o boom tecnológico ávido por terras raras, lítio, cobalto, níquel e grafite, essenciais para a transição energética.

Esta semana, a Atlas Critical Minerals revelou a descoberta de uma extensa área com bolsões de grafita de alto teor entre duas de suas lavras na pequena Araçuaí, no Médio Vale do Jequitinhonha, a cerca de 678 quilômetros de Belo Horizonte. O exato tamanho das jazidas ainda está em mensuração, mas as perspectivas vão bem além do mero potencial. Fogassa acredita que as condições atuais de exploração permitiriam meio século de trabalho contínuo com a tecnologia disponível.

Em alguns pontos o minério foi encontrado na beira da estrada. Os geólogos só precisaram descer da caminhonete e carregar o equipamento por alguns metros na paisagem calorenta de transição entre cerrado e caatinga. Os técnicos se depararam com minério de alto teor, em 19,4% de carbono grafitizado, ideal para utilização em baterias de carros elétricos (aquelas que levam lítio) e em varetas de resfriamento de reatores nucleares, como os de Angra dos Reis. É o grafite de melhor qualidade encontrado no país.

As análises em nível atômico levaram dois meses para serem concluídas no exterior. Quando estiver ativa, a mina da Atlas Critical poderá gerar bilhões de dólares ao ano. Em uma conversa com Fogassa, ele revelou que mantém contato com compradores externos, mas está aberto a atender o mercado interno.

De acordo com dados do Statista, o líder global em reservas de grafita (38%) mapeadas e economicamente viáveis é a China, que domina a produção (65%) e controla o refino (90%) em níveis praticamente monopolistas. O segundo em reservas é o Brasil (28,6%), que atende apenas 5% da demanda, exportando principalmente para Alemanha e Estados Unidos. Esse quadro pode mudar.

A grafita de alto teor localizada em Minas tem valores variáveis de acordo com a aplicação. A tonelada do material empregado em usinas nucleares está em US$ 30 mil, mas o mercado é restrito, enquanto para baterias de veículos elétricos fica em torno de US$ 15 mil, porém o setor está em franco desenvolvimento.

De acordo com empresário, o tamanho exato do corredor de 11 quilômetros de minério deve ser conhecido em breve. “O relatório de recursos deve sair em 2026, o de aproveitamento econômico, até o início de 27”, conta. A afirmação é cuidadosa para não causar alvoroço desnecessário entre acionistas. Um deles é o Citadel, hedge fund com cerca de US$ 66 bilhões em capital de investimento.

Quando perguntado sobre a possibilidade de beneficiamento local do minério, ampliando o valor agregado da commodity, o que criaria desejados empregos industriais e cadeias de fornecedores e clientes mais sofisticadas, como está ocorrendo com lítio extraído no Jequitinhonha, Fogassa segue prudente. “Falamos primeiro com possíveis clientes lá de fora, mas estamos atentos aqui”, disse. Ele quer garantir seu quinhão em um mercado mundial de US$ 28,8 bilhões em 2025. Se fizer tudo certo e os preços se mantiverem, a mineradora tem condições de ocupar uma alta posição em um setor considerado cada vez mais essencial.

Além de Araçuaí, o grupo Atlas Critical Minerals opera uma mina de ferro no Quadrilátero Ferrífero e uma operação de titânio e terras raras em Patos de Minas, ambas em Minas Gerais. Concentradas no estado e na Bahia, novas reservas de grafita foram encontradas no Ceará.

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