Com teor de 19,4% de carbono grafitizado no subsolo do Jequitinhonha, companhia projeta até US$ 35 mil por tonelada para atender demanda transição energética
Parte do grupoAtlas Lithium, a mineradora Atlas Critical Minerals anunciou nesta terça-feira (10) um corredor de grafita de 11 quilômetros de extensão em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais. A área está dentro de um novo lote de exploração que conecta duas áreas já controladas pela empresa, que foi dobrada em tamanho para 2.822 hectares (28,2 km2). Não se trata de uma veio única e contínuo, mas múltiplas zonas identificadas ao longo da faixa.
Fundamental para a transição energética, a grafita faz parte da corrida global pelos minerais críticos, apesar de não ser uma terra rara. O metal é empregado em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, materiais refratários de alta resistência e lubrificantes. Ou seja, está no coração da revolução tecnológica da energia.
As amostragens de superfície apontaram para um teor de minério de 19,4% de carbono grafitizado, superando o pico anterior de 15,4% da própria Atlas. De acordo com a empresa, o índice está entre os mais altos na exploração de grafite natural em flocos no mundo. Outras amostras também apresentaram teores elevados, acima de 10% em diversos pontos, reforçando o potencial de um depósito de grande escala. O minério está espalhado pela área em faixas de 230 metros a até 215 metros de profundidade.
Alta pureza

Um dos diferenciais é a qualidade do minério. Em testes realizados pela American Energy Technologies Company (AETC), nos Estados Unidos, o concentrado de grafita purificado até 99,9% está acima das especificações para baterias de carros elétricos. Esse nível de pureza abre espaço para a Atlas disputar mercados ultrapremium, com preços estimados entre US$ 25 mil e US$ 35 mil por tonelada, em aplicações nucleares e de alta tecnologia. Ao mesmo tempo, a empresa mira o crescente mercado de baterias de íons de lítio, nas quais o grafite é o principal material de ânodo e está presente em dezenas de quilos em cada veículo elétrico.
Para o CEO da Atlas Lithium, Marc Fogassa (ao lado), esses dados justificam acelerar o desenvolvimento do projeto. “Quando falamos em um corredor de grafita de 11 quilômetros, estamos nos referindo a uma tendência contínua de ocorrências de grafita de alto teor na superfície, sustentadas por mapeamento geológico e trabalho de campo. Não se trata de um único corpo de minério isolado, mas de uma estrutura mineralizada que se repete, o que aumenta significativamente o potencial de escala do projeto”, explica Fogassa.
“Entre os projetos de grafita atualmente em desenvolvimento no Brasil, não há outro ativo que combine esse tipo de extensão com altos teores em superfície e pureza em nível nuclear confirmada em laboratório. Em termos de tamanho‑alvo e qualidade do material, o projeto já se coloca no mesmo patamar de depósitos de referência em nível internacional”, completa o CEO.
Foi feito um estudo consistente. Projeções de consultorias como MarketsandMarkets e Benchmark Mineral Intelligence apontam um mercado global de grafite de US$ 36,4 bilhões até 2030 e a necessidade de 97 novas minas até 2035 para atender a demanda, hoje em torno de US$ 20 bilhões e podendo superar US$ 30 bilhões. As projeções apontam para a necessidade de perto de 100 novas minas de grafita natural nos próximos dez anos. Nesse sentido, a Atlas quer se posicionar como o principal do Brasil em extensão, teor e pureza, com capacidade de atender tanto baterias quanto aplicações nucleares.
Para o executivo, o projeto de grafita é um dos pilares da estratégia da Atlas para construir um portfólio de minerais críticos, ao lado de terras raras, urânio e titânio. “No âmbito mais amplo do grupo Atlas Lithium, ampliamos o alcance da companhia para além do lítio, criando a oportunidade de oferecer, a partir do Brasil, um conjunto mais completo de matérias‑primas estratégicas“, complementa Fogassa.
Próximos passos
O projeto de grafite é um dos pilares da estratégia da Atlas Critical Minerals. Fogassa ressalta, porém, que a viabilização de projetos dessa escala depende de um ambiente regulatório previsível, segurança jurídica e menos judicialização, que hoje, segundo ele, ainda travam investimentos e a geração de empregos qualificados no setor mineral brasileiro.
“O Brasil, hoje, conta com um arcabouço legal mais moderno para a mineração, mas esse avanço ainda é frequentemente minado por um ambiente de judicialização excessiva. Ações no Judiciário – inclusive questionamentos constitucionais – muitas vezes são impulsionadas por atores que não apenas desconhecem a natureza de longo prazo da mineração e os padrões de governança adotados pelas empresas sérias do setor, como também são influenciados por visões distorcidas sobre a atividade, pela contaminação ideológica do debate público e, em alguns casos, por interesses pouco transparentes”, alerta
A Atlas Critical Minerals está listada na Nasdaq desde janeiro de 2026, com a Atlas Lithium detendo aproximadamente 21% da companhia. A empresa iniciou operações de minério de ferro geradoras de receita em Rio Piracicaba, no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, no fim de 2025, passando a gerar caixa para apoiar a ampliação de portfólio com minerais críticos.
Mesmo com essas questões potenciais, a companhia inicia um programa robusto de exploração, com sondagens, levantamentos por satélite e mapeamentos geológico detalhado.
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