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A força e as particularidades do Brasil no mercado de fusões e aquisições

Da redação
5 de julho de 2026

O mercado brasileiro de fusões e aquisições viveu em 2025 um dos seus ciclos mais intensos da última década, consolidando-se como o motor da América Latina. Foram cerca de 1.877 transações, alta de 7,6% sobre o ano anterior, e um valor total próximo de US$ 58 bilhões, segundo dados da TTR Data. O cenário geral mostra as operações passaram a envolver valores mais altos e estruturas mais complexas.

“O Brasil oferece o melhor e o pior dos dois mundos: profundidade doméstica e setores de classe mundial, mas também custo de capital elevado e volatilidade cambial”, afirma Alexandre Pierantoni, managing director e head de investment banking para a América Latina e Brasil da Kroll.

A grande diferença do Brasil em relação ao restante da região é a base doméstica de investidores. Conforme o executivo da Kroll, enquanto países vizinhos dependem fortemente de capital estrangeiro, o mercado brasileiro se sustenta em compradores estratégicos locais, private equity nacional e investidores institucionais.

Em 2025, mais de 80% das transações tiveram participação de investidores brasileiros, o que garante resiliência mesmo em momentos de seletividade internacional. Essa profundidade explica por que o país responde sozinho por cerca de 60% do volume de operações na América Latina.

Os setores que puxaram os maiores negócios foram infraestrutura, energia, mineração e químicos, além da tecnologia, que liderou em número de transações.

O private equity local mais que dobrou sua atividade em 2025, movimentando perto de R$ 57 bilhões, enquanto o capital chinês ultrapassou US$ 6 bilhões em investimentos no país. Já o venture capital recuou, refletindo o aperto de liquidez global.

O início de 2026 confirmou a tendência, conforme Pierantoni: o primeiro trimestre registrou US$ 15,9 bilhões em transações, alta de 30% sobre o mesmo período de 2025, apesar da queda no número de operações concluídas.

O cenário para 2026 é de otimismo cauteloso. A expectativa de queda de juros, somada ao transbordamento da liquidez global e ao calendário eleitoral, deve concentrar grandes operações no primeiro semestre. O mercado de situações especiais e ativos estressados segue ativo, atraindo fundos oportunistas e estruturas criativas de preço.

“Em um mercado em K, o trabalho do assessor deixa de ser surfar a maré e passa a ser identificar de que lado do K o ativo está e estruturar a transação para que ele atravesse para o lado certo”, resume Pierantoni.

A avaliação do executivo da Kroll é que o Brasil continua sendo o destino mais relevante para M&A na região, com setores como agronegócio, energia e serviços financeiros atraindo capital institucional global.

Porém, o jogo é de disciplina: menos negócios, cheques maiores e uma seleção cuidadosa de ativos e setores capazes de atravessar o ciclo com segurança.

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