Na terceira edição do evento “Empresas familiares e suas lideranças”, realizado por MONEY REPORT, o vice-presidente do Grupo Águia Branca, Renan Chieppe, relatou que a sucessão em uma empresa familiar deve ser encarada como um processo de formação contínua, baseado em mérito, conhecimento do negócio e responsabilidade com o legado construído ao longo das gerações.
Segundo o executivo, preparar as novas gerações é uma prioridade estratégica para garantir a continuidade dos negócios. Para isso, o grupo adota uma política que diferencia claramente o papel do acionista daquele exercido pelo executivo ou gestor da companhia. “Somos uma empresa de capital familiar e preparar as novas gerações é essencial para a perpetuidade do negócio. Procuramos separar o papel do acionista do papel do profissional e prepará-los para exercer ambas as funções”, afirmou.
Atualmente, o Grupo Águia Branca, que já consolidou sua segunda geração de liderança, desenvolve programas voltados à formação da terceira geração. O objetivo é preparar futuros acionistas para atuar na governança da empresa, ao mesmo tempo em que oferece oportunidades para aqueles que desejam construir uma carreira executiva dentro da organização.
Segundo Chieppe, embora a experiência profissional seja considerada um diferencial para quem futuramente participará da governança, a ascensão dentro da companhia segue critérios meritocráticos. “No mundo ideal, as pessoas que participam da governança também trazem experiência executiva. Por isso investimos muito nessa formação, mas nosso modelo é baseado na meritocracia. O tempo é quem vai definir a trajetória de cada profissional.”
O desenvolvimento das novas gerações começa cedo. O executivo explicou que os familiares interessados em seguir carreira na empresa ingressam em programas estruturados de trainee, acompanhados por tutores e vivenciando diferentes áreas do negócio desde a base da operação. De acordo com Chieppe, cerca de 30 integrantes da família já passaram pelo programa de formação, dos quais 12 atualmente ocupam funções de gestão ou posições executivas na companhia. O próprio executivo é exemplo desse processo. Integrante da segunda geração da família, iniciou sua trajetória profissional aos 18 anos e acumula hoje 46 anos de atuação dentro do Grupo Águia Branca.
Ao falar sobre sucessão, Renan Chieppe destacou que o principal compromisso de quem pretende assumir responsabilidades em uma empresa familiar não é ocupar um cargo de liderança, mas compreender o papel de acionista responsável. Para ele, vivenciar o dia a dia da companhia contribui para fortalecer esse compromisso, independentemente de a pessoa seguir ou não uma carreira executiva. “Passar pela empresa desenvolve conhecimento, maturidade e, principalmente, faz com que a pessoa goste do negócio. Isso é fundamental para preservar o legado construído pelas gerações anteriores. Receber esse legado é motivo de orgulho, mas, acima de tudo, exige muita responsabilidade”, finalizou.
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