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Brasileiro começa a perder medo de ser trocado por IA no trabalho

Da redação
28 de junho de 2026
Pesquisa do DataFolha mostra aumento no uso de IA em empresas, enquanto brasileiros ainda rejeitam uso para contratações

O medo de ser substituído por IA fica cada vez mais escanteado entre brasileiros que adotam chatbots e modelos de inteligência artificial generativa no dia a dia do trabalho. Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em junho mostra que 48% dos brasileiros que já ouviram falar de IA temem ser substituídos pelos modelos, queda diante da parcela de 56% dos entrevistados ouvidos um ano atrás. A parcela dos entrevistados que não tem medo de ser trocado pela IA no trabalho subiu de 41% a 49% ao mesmo tempo.

Já a população brasileira que usa algum tipo de IA generativa no dia a dia do trabalho subiu de 19% em 2025 para 24% em 2026. Os modelos de chatbot são mais usado para a faculdade em segundo lugar, por 13% dos respondentes. A aplicação da tecnologia é mais comum em pesquisas na internet (25%) e estudos (17%), e menos comum na geração de vídeos e imagens (4%).

A queda no temor frente à IA no emprego contraria economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, além do dono de uma das principais empresas a transformarem o mundo do trabalho. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um documento neste mês pedindo políticas de estímulo à contratações, para evitar riscos de desemprego promovidos por redes sociais.

Aos economistas, o recuo no medo de reposição pela IA faz parte de um efeito de rebote no catastrofismo inicial causado pelo uso massivo das ferramentas como o ChatGPT e o Claude. “As pessoas ouviram que iria acabar o emprego de todo mundo, mas ainda existe trabalho no mercado”, disse Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas), à Folha.

Um estudo do FGV Ibre com base em metodologias da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que quase 30 milhões de brasileiros estavam em empregos com algum grau de exposição a agentes de IA generativa no terceiro trimestre de 2025. Quanto mais escolarizado e mais jovem, maior a dependência de IA, especialmente no setor de serviços em comunicação, informação e serviços financeiros.

A pesquisa do Datafolha revela que 79% dos brasileiros é contra o uso de IA para decisões dentro das empresas. Para essa parcela, é incorreto usar inteligência artificial para demitir ou contratar funcionários, por exemplo. A reprovação do uso de IA por parte de instituições financeiras para ceder empréstimos e crédito chega a 67%, enquanto no caso de diagnósticos médicos, atinge 68%.

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