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Expansão do crédito por bancos públicos eleva riscos ao sistema financeiro, diz Moody’s

Da redação
23 de junho de 2026
Relatório destaca que estratégia do governo ocorre em cenário de alta inadimplência, juros elevados e desaceleração econômica

A agência de classificação de risco Moody’s alertou que a estratégia do governo federal de ampliar a oferta de crédito por meio dos bancos públicos aumenta os riscos para o sistema financeiro brasileiro em um momento de deterioração das condições de crédito. Em relatório divulgado nesta terça-feira (23), a agência afirma que a aceleração dos empréstimos ocorre em um cenário de elevado endividamento das famílias, juros altos e desaceleração da atividade econômica, fatores que tendem a pressionar a inadimplência e a rentabilidade das instituições financeiras.

Segundo a Moody’s, enquanto o Banco do Brasil passou a adotar uma postura mais cautelosa, reduzindo o crescimento da carteira de crédito e endurecendo os critérios de concessão, a Caixa Econômica Federal e o BNDES mantêm uma estratégia mais expansionista, alinhada ao papel anticíclico desempenhado pelos bancos públicos na execução de programas do governo. Para a agência, esse movimento amplia a exposição dessas instituições a um ambiente de crédito mais desafiador.

O relatório destaca que a Selic em 14,25%, combinada ao elevado nível de endividamento das famílias, tem reduzido a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito. Como consequência, o índice de empréstimos com atraso superior a 90 dias no sistema bancário atingiu 4,4% em abril de 2026. No Banco do Brasil, a inadimplência em operações de varejo chegou a 6,82% em março, enquanto na Caixa o índice geral de empréstimos em atraso subiu de 2,49% para 3,71% em um ano, impulsionado principalmente pelo aumento da inadimplência no crédito rural e para pequenas e médias empresas.

Embora reconheça que Banco do Brasil, Caixa e BNDES contam com mecanismos para reduzir parte desses riscos – como forte capitalização, provisões para perdas e participação relevante em operações de menor risco ou com garantias públicas -, a Moody’s afirma que essas defesas “podem ser testadas” caso o ambiente de crédito permaneça fraco por um período prolongado. A agência também observa que o crescimento da carteira do BNDES acima da média do sistema, em um cenário econômico mais frágil, representa um potencial aumento de risco.

Na avaliação da Moody’s, a necessidade de elevar provisões para perdas com empréstimos deverá continuar pressionando os resultados dos bancos públicos ao longo de 2026 e 2027. A agência destaca que o Banco do Brasil registra seus menores resultados trimestrais desde 2020, após o aumento das provisões relacionadas ao crédito rural e ao varejo, enquanto a Caixa também elevou as reservas para perdas em operações agrícolas e com pequenas empresas.

O relatório conclui que manter o equilíbrio entre os objetivos de política pública e a disciplina na concessão de crédito será determinante para preservar a qualidade dos ativos, lembrando que, historicamente, ciclos de crédito orientados por políticas governamentais foram seguidos por deterioração dos indicadores de crédito.

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