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Brasil enfrenta barreiras para converter conhecimento em inovação empresarial

Da redação
12 de maio de 2026
Estudo do Insper identifica os principais gargalos que limitam a inovação de alto impacto no país

O Brasil mantém uma base inventiva ativa, mas ainda enfrenta sérios obstáculos para transformar conhecimento em inovação empresarial. O primeiro relatório do Observatório de Inovação e Empreendedorismo do Insper mostra que, apesar da estabilidade em torno de 25 mil depósitos de patentes anuais desde 2017, a maioria esmagadora vem de empresas estrangeiras. Em 2023, 80,4% dos pedidos foram feitos por não residentes, com os Estados Unidos liderando e a China avançando rapidamente. O dado reforça que o país é visto como mercado estratégico para proteção de tecnologias globais, mas revela a baixa presença de empresas nacionais em setores de alta intensidade tecnológica.

Outro gargalo está na predominância acadêmica. Universidades ocupam 37 das 50 posições entre os maiores depositantes de patentes, enquanto apenas 11 empresas figuram na lista. Esse protagonismo acadêmico, embora positivo em termos de produção científica, expõe a dificuldade de transferir tecnologia para o setor privado. O resultado é um grande volume de conhecimento sem aplicação comercial imediata, o que limita a competitividade empresarial.

Geograficamente, a atividade inventiva segue concentrada nos polos tradicionais do Sudeste e Sul, com São Paulo isolado na liderança. Setorialmente, o país ainda foca em áreas industriais clássicas, como Engenharia Civil e máquinas especiais, enquanto perde espaço em fronteiras tecnológicas dominadas por players internacionais.

“Patentes não são apenas um indicador acadêmico, mas sinais econômicos e competitivos que ajudam a orientar decisões estratégicas. Este primeiro relatório mostra com clareza onde o país já construiu capacidade e onde ainda perde valor, especialmente na transformação de invenções em soluções que ganham escala e chegam ao mercado”, afirma Rodrigo Amantea, head do Hub Paulo Cunha (imagem).

O relatório conclui que o país precisa avançar na consolidação da inovação como estratégia empresarial estruturada. Isso exige maior protagonismo do setor produtivo, incentivos adequados e coordenação entre academia e empresas. Sem essa conexão, o Brasil continuará ampliando sua capacidade inventiva sem conseguir convertê-la em vantagem competitiva sustentável.

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