A Fitch elevou o rating da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva estável. A decisão reflete avanços nas reformas econômicas promovidas pelo presidente Javier Milei, além de melhorias estruturais nas contas fiscais e externas do país.
Entre os fatores que sustentaram a revisão estão o compromisso do governo com o equilíbrio fiscal, a prioridade na acumulação de reservas internacionais e o fortalecimento da posição externa da Argentina, que se consolidou como exportadora líquida de energia. O pacote de reformas inclui mudanças trabalhistas, flexibilização de regras ambientais para mineração e um orçamento de 2026 que preserva disciplina fiscal.
A Fitch destacou ainda que o governo vem adotando uma nova estratégia de financiamento, com emissão de títulos locais em dólares, garantias multilaterais e planos de privatização para cobrir vencimentos da dívida e reforçar reservas. Apesar disso, a agência alerta que a liquidez internacional segue frágil e que a inflação continua elevada, o que mantém o país vulnerável a choques de confiança.
O crescimento econômico permanece concentrado em setores extrativos e agrícolas, enquanto áreas intensivas em mão de obra, como construção e manufatura, enfrentam dificuldades. A expectativa é de expansão de 3,2% em 2026, após 4,4% em 2025, marcando dois anos consecutivos de crescimento — algo raro na trajetória recente da Argentina.
A revisão da Fitch sinaliza maior credibilidade internacional para o governo Milei, mas também ressalta os desafios de manter estabilidade macroeconômica em meio a pressões inflacionárias e riscos políticos à medida que se aproximam as eleições de 2027.
