Como este tipo de acordo só serve se levar aos líderes, Marilson e Zettel poderiam comprometer mais o banqueiro, que apontaria para agentes públicos e políticos
Por três votos a zero, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, no final da manhã desta sexta-feira (13), para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, liquidado por suspeitas de fraude que atingem por volta de R$ 50 bilhões.
O voto faltante da turma é do ministro Gilmar Mendes. Votaram por deixar o banqueiro na cadeia os ministros André Mendonça, relator do caso, Luiz Fux e Nunes Marques. Pela primeira vez que o caso do Master é analisado de forma colegiada pelo Supremo. Antes, apenas os relatores – Mendonça e Dias Toffoli, que se afastou – emitiram decisões monocráticas no processo. Mendonça é relator há um mês.
Também ficam atrás das grades o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, acusado de ser operador financeiro do banqueiro, e do escrivão aposentado da Polícia Federal (PF), Marilson Roseno da Silva, que teria auxiliado no acesso a informações sigilosas das investigações. Funcionários do Banco Central (BC) são investigados.
Em seu voto, Mendonça deixou claro que colocar os envolvidos, principalmente Vorcaro, em prisão domiciliar, deixaria margem para manobras de obstrução judicial.
Ao manter a prisão por mais tempo, está aberta a possibilidade de delações premiadas da parte de Vorcaro e os demais. Como este tipo de acordo só serve às investigações se levarem aos líderes e autoridades envolvidas, Marilson e Zettel poderiam comprometer mais Vorcaro, que por sua vez poderia incriminar agentes públicos e políticos envolvidos no esquema.
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