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IA mental falha; vício em bets; canetas contras drogas; tipo 1

Da redação
8 de março de 2026

Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas

Um novo plano para curar o diabetes tipo 1

Pesquisadores da Medical University of South Carolina (Musc) anunciaram um plano ousado para curar o diabetes tipo 1, com financiamento de US$ 1 milhão da Breakthrough T1D. A terapia inovadora combina células beta produtoras de insulina, cultivadas a partir de células-tronco em laboratório, com células imunes regulatórias T (Tregs) geneticamente modificadas usando receptores de antígenos quiméricos (CARs), que atuam como guarda-costas para proteger as células transplantadas do ataque autoimune, eliminando a necessidade de imunossupressores. Essa abordagem resolve dois desafios principais: a escassez de doadores de ilhotas pancreáticas e a rejeição imunológica pós-transplante. Testes pré-clínicos em camundongos humanizados mostraram proteção por até um mês, e o objetivo é criar um tratamento pronto para uso, escalável e congelável, aplicável a pacientes em qualquer estágio da doença, podendo revolucionar o manejo do diabetes tipo 1, que afeta cerca de 1,5 milhão de americanos e causa complicações graves como cegueira e falência de órgãos.

ChatGPT falha quando se trata de saúde mental

Pesquisa da Brown University alerta para riscos éticos graves no uso de ChatGPT e outros chatbots de IA como terapeutas, mesmo quando instruídos a seguir abordagens psicoterapêuticas estabelecidas. Em avaliações comparativas com conselheiros e psicólogos licenciados, os sistemas violaram padrões éticos em 15 categorias, como falta de adaptação contextual, reforço de crenças prejudiciais, “empatia enganosa” sem compreensão real, discriminação por gênero ou cultura e falhas em gerenciar crises, incluindo pensamentos suicidas. Os testes usaram prompts para simular sessões de terapia cognitivo-comportamental em modelos como GPT, Claude e Llama, analisados por especialistas clínicos, revelando uma lacuna de accountability sem regulação para IAs, ao contrário de terapeutas humanos. Apresentado na AAAI/ACM Conference on AI, Ethics and Society, o estudo defende salvaguardas rigorosas antes de depender de IAs em saúde mental, podendo auxiliar no acesso, mas com cautela para evitar danos.

Compulsivos por bets ganham teleatendimento gratuito

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta semana o início do teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com foco em jogos de apostas. O serviço é direcionado a pessoas a pessoas com 18 anos ou mais que apresentam compulsão por jogos, além de familiares e rede de apoio. Realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o serviço gratuito garantirá assistência especializada a pessoas com compulsão pelas conhecidas bets. A expectativa inicial é a de 600 atendimentos online por mês, mas o ministério poderá ampliar esse número, a depender da demanda. A ideia é chegar a 100 mil atendimentos mensais. As consultas são realizadas por vídeo, duram em média 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados de cuidado, que podem incluir até 13 consultas por paciente, em grupo com sua rede de apoio ou individualmente. O atendimento é gratuito e confidencial.

Canetas podem aliviar vícios em drogas e álcool

Estudo americano publicado neste mês revela que medicamentos para perda de peso, como os agonistas de GLP-1 (semaglutida, usada em Ozempic e Wegovy), estão associados a risco significativamente menor de vícios em álcool, tabaco, cannabis e cocaína, além de redução na mortalidade por essas substâncias. Usuários desses remédios mostraram 18% menos chance de dependência alcoólica, 14% menor risco de vício em cannabis e 20% menos propensão a cocaína, sugerindo efeitos protetores no sistema de recompensa cerebral. A pesquisa, destacada pelo The Guardian, analisou grandes dados de saúde nos EUA e reforça relatos anedóticos de pacientes que perdem interesse por álcool e cigarro ao usar essas drogas, originalmente para diabetes tipo 2 e obesidade. Especialistas veem potencial para tratamentos de dependência, mas pedem mais estudos clínicos para confirmar causalidade e segurança em longo prazo.

Aspirina não previve câncer de cólon

Nova revisão feita pela organização Cochrane alerta que o uso diário de aspirina não previne de forma confiável o câncer colorretal em pessoas de risco médio, com qualquer benefício protetor podendo demorar mais de 10 anos para aparecer — e com evidência de baixa qualidade. A análise de 10 ensaios clínicos randomizados com 124.837 participantes mostrou ausência de redução no risco de câncer ou adenomas em até 15 anos de uso, enquanto o risco de hemorragia extracraniana grave e possível AVC hemorrágico aumenta imediatamente, mesmo com doses baixas. Os autores, da West China Hospital of Sichuan University, enfatizam que decisões preventivas devem ser individualizadas, evitando recomendação generalizada, especialmente para idosos ou com histórico de sangramentos. Embora aspirina beneficie grupos de alto risco como portadores de síndrome de Lynch, para a população geral os riscos superam os ganhos incertos, defendendo abordagens de precisão com perfis de risco personalizados.

Mulheres vítimas de violência terão acesso a reconstrução dental

Mulheres vítimas de violência terão acesso a reconstrução dentária no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo tratamento odontológico integral e gratuito. Serão oferecidos próteses, implantes, restaurações e outros procedimentos. A ação faz parte do plano de trabalho para o enfrentamento ao feminicídio no país. Segundo o Ministério da Saúde, o programa contará com o reforço de 500 impressoras 3D e scanners, que funcionarão em unidades odontológicas móveis distribuídas em todo o país. Em 2025, foram distribuídos 400 novos veículos e a previsão é que, até o fim deste ano, outras 800 unidades entrem em circulação.

Câmara aprova regras para venda de remédios em supermercados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta semana o Projeto de Lei 2158/23, que autoriza a instalação de um setor de farmácias no interior de supermercados – desde que em ambiente físico delimitado, segregado e exclusivo para a atividade. A proposta agora segue para sanção presidencial. De acordo com o texto, embora a farmácia em questão possa operar sob a mesma identidade fiscal do supermercado ou por meio de contrato com drogaria licenciada e registrada nos órgãos competentes, ela terá que seguir as mesmas exigências sanitárias e técnicas vigentes, incluindo: dimensionamento físico e estrutura de consultórios farmacêuticos; presença obrigatória de farmacêuticos legalmente habilitados durante todo o horário de funcionamento da farmácia; recebimento, armazenamento, controle de temperatura, ventilação, iluminação e umidade adequados; rastreabilidade, assistência e cuidados farmacêuticos.

Suplementos com cúrcuma podem trazer risco de danos ao fígado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta semana um alerta de farmacovigilância para o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão. Segundo a Anvisa, investigações internacionais identificaram casos raros, mas graves, de inflamação e de danos ao fígado associados ao uso desses produtos em cápsulas ou em extratos concentrados. De acordo com o comunicado, agências reguladoras de países como Itália, Austrália, Canadá e França já fizeram alertas sobre o tema depois que autoridades de saúde registraram casos de intoxicação do fígado ligados ao uso de suplementos de cúrcuma. Na França, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho identificou dezenas de relatos de efeitos adversos associados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo casos de hepatite.

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