Muitos dos textos que escrevo nos finais de semana são despretensiosos e não têm ligação com o mundo dos negócios, da economia ou da política. Acredito que, pelo menos uma vez por semana, é preciso arejar a pauta e falar de coisas que possam abrir a nossa cabeça para outros temas – dos mais amenos aos mais complexos.
Tenho percebido, nos últimos tempos, que esses artigos são justamente aqueles que têm vida longa no repertório publicado aqui em MONEY REPORT. De 2018 até agora, são mais de 2.300 textos. De 2020 para cá, publico diariamente pelo menos uma coluna e, nas férias, me dou ao direito de reprisar algum conteúdo (isso acontecerá a partir de amanhã, por sinal, pois viajarei por duas semanas e voltarei à ativa em 25 de janeiro).
De qualquer forma, alguns textos do arquivo de MR são acessados com uma frequência espantosa. De todos, há pelos menos duas dúzias que são abertos diariamente pelo público, apesar de postados há bastante tempo. Vamos a cinco deles:
+ Anos 1970: quando brasileiros faziam sucesso cantando em inglês – em tempos nos quais os sertanejos dominam as paradas de sucesso, é difícil para as novas gerações imaginarem que houve uma época em que a música pop estrangeira tinha o poder de vender horrores. Por isso, as gravadoras pediam – ou melhor, exigiam – que alguns de seus artistas gravassem canções em inglês com pseudônimos (um deles, o hoje consagrado Fábio Júnior, virou Mark Davis).
+ Os Bee Gees foram o primeiro caso de cancelamento da era moderna – neste artigo, mostro o momento da virada dos anos 1970 para 1980, quando o gênero musical “disco” entrou em decadência e o grupo liderado por Barry Gibb (imagem) caiu em desgraça.
+ Edward Bernays: é por causa dele que comemos ovos com bacon no café da manhã – aqui, falo sobre o sobrinho de Sigmund Freud, que fez carreira na área de relações públicas nos Estados Unidos. Um de seus jobs foi justamente turbinar as vendas de ovos e de bacon nos EUA.
+ Ibrahim Sued, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro – aos preconceituosos de plantão, um aviso: já fui como vocês e considerava o “Turco” um colunista cheio de maneirismos e gírias cafonas. Passei a prestar atenção nele quando Elio Gaspari me disse, durante uma madrugada de trabalho na revista Veja, que tinha começado sua carreira na coluna de Sued – e que considerava aquele cronista social um dos melhores jornalistas com quem havia trabalhado.
+ Quem diria?Eu fui personagem da novela “Celebridade” – aqui vai uma coluna autobiográfica, na qual conto como servi de inspiração para um papel de razoável importância em folhetim do autor Gilberto Braga.
Como se pode ver, o que deu uma vida extra a esses textos é uma combinação de fatos curiosos e pitadas históricas que têm a ver com o comportamento humano. São artigos que parecem sobreviver ao tempo porque tocam em algo que não se esgota: a curiosidade, esse impulso de revisitar histórias, recuperar memórias e encontrar sentido nas pequenas revelações que a vida oferece. São criações despretensiosas que parecem determinadas a provar que têm mais longevidade do que o próprio autor imaginava no momento em que as escreveu.
P.S.: reforço a mensagem que aparece no início do texto: saio de férias e volto ao batente em 25 de janeiro. Até lá!