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O que pode acontecer com os correntistas do Master

Lorena Scavone Giron
18 de novembro de 2025
FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ; valores superiores entrariam na fila e podem levar semanas para serem liberados. Bancos precisariam cobrir diferenças de um rombo que mais de R$ 12 bilhões, no mínimo

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) após a prisão do controlador Daniel Vorcaro e o afastamento de diretores do BRB, ocorreu em meio a um escândalo financeiro de proporções inéditas. A investigação colocou luz junto à opinião pública sobre uma fraude que pode atingir até R$ 12 bilhões, de acordo com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em parceria com o BRB, a direção do Master teria forjado, entre janeiro e maio de 2025, ao menos 20 contratos para justificar tais desvios.

Mas o estrago pode ser ainda maior. O Master possuiria de R$ 75 bilhões a R$ 86,4 bi em ativos. Caso uma parte significativa desse montante precise ser coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), será o maior desembolso da história do Sistema Financeiro Nacional (SFN), superando o caso do Bamerindus, em 1997 (em valores corrigidos, R$ 29 bilhões).

O FGC é uma aplicação mantida pelas instituições bancárias públicas e privadas para funcionar como um seguro aos correntistas e investidores. Em 2024, somava R$ 140,4 bilhões. Caso for acionado em grande proporção, os bancos precisarão dar contribuições adicionais para garantir o mecanismo no futuro próximo.

Segundo fontes junto à PF, Ministério Público Federal (MPF) e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os documentos eram “falsificações grosseiras”, muitos autenticados no mesmo dia e em um único cartório em São Paulo meses após os desvios. A manobra ocorreu na sequência da cobrança do BC sobre os documentos envolvendo as operações então suspeitas.

A investigação reforçou o temor dos correntistas e investidores, especialmente porque o banco vinha oferecendo remunerações muito acima da média do mercado, pagando de 110% a 120% sobre certificados de depósitos interbancários (CDIs), o que levantava suspeitas sobre a solidez da instituição. Com a desconfiança, clientes passaram a se desfazer dos títulos no mercado secundário.

Com a liquidação, todos os recursos em contas, CDBs, LCIs, RDBs e demais produtos foram bloqueados. O processo passa a ficar sob comando de um liquidante indicado pelo BC.

Por que tanta preocupação?

A combinação de três fatores acendeu o sinal vermelho entre os clientes, Coaf e BC:

  1. altos retornos que destoavam do mercado;
  2. investigações criminais envolvendo a cúpula;
  3. liquidação imediata, o pior cenário regulatório para uma instituição financeira.

Para quem tinha aplicações maiores ou diversificadas, o medo é perder parte do patrimônio, especialmente valores acima de R$ 250 mil ou investimentos fora da cobertura do FGC.


Como funciona o FGC e o que ele paga

No centro das dúvidas está o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Ele protege:

  • conta corrente
  • poupança
  • CDBs e RDBs
  • LCIs e LCAs
  • LCs e LH

O FGC devolve o principal + os rendimentos acumulados até a data da liquidação, respeitando o teto.

Exemplo rápido: Se o cliente tinha R$ 220 mil investidos + R$ 40 mil em juros, o FGC paga R$ 250 mil. O restante vira crédito na massa falida.

Valores acima do limite entram na fila da liquidação, sem garantia de pagamento e sem prazo definido.

E vale lembrar: quem enche o caixa do FGC são os bancos de grande porte, com contribuições mensais proporcionais ao tamanho da instituição. Por isso, nos bastidores, executivos dos bancões demonstraram preocupação com o impacto da quebra do Master, um caso sem precedentes recentes em escala e complexidade.

O que acontece agora: o passo a passo

Com os diretores afastados, o processo começa com uma intervenção operacional. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, será necessário mapear todos os CPF e CNPJ com títulos no banco. A lista será enviada ao FGC.

O caminho é o seguinte:

1. O liquidante envia a lista de credores ao FGC

Essa etapa costuma demorar cerca de 30 dias, mas o caso do Master é maior do que qualquer liquidação recente.

2. Cliente se cadastra no app do FGC
  • Pessoas físicas: aplicativo
  • Empresas: site

3. O FGC cruza os dados

Se tudo estiver correto, o cliente vê o valor disponível.

4. Assinatura do termo digital

Passo obrigatório para liberar o pagamento.

5. Depósito em até 48 horas úteis

Depois da assinatura, o dinheiro costuma cair rapidamente.

No geral, o processo leva entre 14 e 40 dias, dependendo da velocidade do liquidante.

Quem está fora da proteção

Os investidores desses produtos não contam com o FGC:

  • debêntures
  • CRIs
  • CRAs
  • fundos de investimento
  • títulos estruturados fora do sistema de garantia

Esses clientes entram diretamente na fila da liquidação, onde o pagamento depende da venda dos ativos do banco e da ordem legal de prioridade.


E quem deve dinheiro ao Master?

Os contratos continuam válidos.

Quem tem:

  • consignado
  • empréstimo
  • financiamento

deve seguir pagando normalmente, evitando boletos de terceiros até que o liquidante divulgue os canais oficiais.

Pix do Master deixa de existir

As chaves Pix registradas no banco foram canceladas automaticamente. O cliente precisa cadastrar uma nova chave em outra instituição.


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