MPF encontrou indícios de gestão fraudulenta e organização criminosa. Ontem o Grupo Fictor manifestou interesse em adquirir o banco, apesar do veto anterior à entrada do BRB como acionista
O Banco Central (BC) decretou, nesta terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master e da Master SA Corretora de Câmbio. A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, retira o grupo do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e fecha as instituições. A medida veio um dia após o Grupo Fictor manifestar interesse em adquirir o banco, apesar do veto anterior à entrada do Banco de Brasília (BRB) como acionista, sob risco de exposição desnecessário de ativos.
Junto com a liquidação, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi detido na noite de segunda (17), por volta das 22h, no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando se preparava para deixar o país rumo Malta em seu jato privado. A intenção seria ir para os Emirados Árabes. Ele foi abordado na área privada do aeroporto, após desembarcar de seu helicóptero, e levado à Superintendência da PF, na capital paulista. Ele e outros suspeitos são investigados por gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros. As investigações da atual operação Compliance Zero estão em curso desde o ano passado, após o Ministério Público Federal (MPF) encontrar indícios de fabricação de carteiras de crédito insubsistentes.
Também foi detido o presidente do banco, Paulo Henrique Costa, o PH Costa. A PF cumpre cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. entre os investigados está o sócio Augusto Lima.
O modelo de negócios do Master era questionado pelo mercado e pelos órgão reguladores. O banco captava recursos pagando juros elevados acima da média e utilizava os valores para adquirir ativos de baixa liquidez, como empresas em dificuldades financeiras, precatórios e direitos creditórios, expondo os clientes da instituição.
Por estas razões, há dois meses o BC impediu a compra de parte do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A operação com o Fictor seria uma nova tentativa de Vorcaro para evitar a falência de um negócio que se tornou inconsistente e temerário.
O aporte inicial do Fictor seria de R$ 3 bilhões, para reforçar a estrutura de capital do Master. Após o aval regulatório, que não veio, o consórcio compraria a totalidade das ações de Vorcaro e nomearia um novo presidente, trocando a diretoria estatutária, o conselho e alteraria o nome da instituição para Banco Fictor. Com esse valor, a dívida herdada ficaria em R$ 7 bilhões, com ativos estimados em R$ 45 bi. Em março, quando da tentativa junto ao BRB, o patrimônio consolidado do Master seria de R$ 2,75 bi.
A preocupação agora é como ficam os correntistas do banco que possuem valores acima dos R$ 250 mil cobertos pelos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A receio sobre es efeitos em fundos de pensão.
O outro lado
A defesa de Daniel Vorcaro alega que o banqueiro viajaria para Dubai a fim de fechar a venda do banco a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, que administrariam mais de US$ 100 bilhões em ativos.
O que MR pulicou
- Master: o Banco Central resolveu um problema criado pelo próprio BC
- Fictor compra Banco Master por R$ 3 bi
- BC rejeita compra do Master pelo BRB
- BTG compra R$ 1,5 bi em ativos de Vorcaro e dá fôlego ao Master
- Justiça barra assinatura da compra do Banco Master pelo BRB
- MPDFT pede suspensão da compra do Banco Master pelo BRB
